OE2027. Governo admite conciliar Linha Circular do Metro de Lisboa com Linha em Laço
A Linha Circular do Metropolitano de Lisboa deverá entrar em funcionamento no primeiro trimestre de 2027, mas o Governo deixou esta segunda-feira, 2 de novembro, em aberto a possibilidade de a conciliar posteriormente com uma Linha em Laço.
“Vamos entregar a obra às pessoas como Linha Circular, tal e qual foi desenhada, e vamos estudar a possibilidade do laço como complementaridade a esta Linha Circular”, afirmou a secretária de Estado da Mobilidade, Cristina Pinto Dias, numa audição no âmbito da apreciação, na especialidade, do Orçamento do Estado para 2027 (OE2027).
A governante referiu que a transformação da Linha Circular numa Linha em Laço iria exigir mais 18 meses de trabalho, nomeadamente para ajustar os sistemas de sinalização e o modelo de operação.
“Estamos a falar de um custo adicional na ordem dos 18 milhões de euros, sendo 10 em sinalização e oito para fazer um reajustamento na rede. Não era possível esperar mais. As pessoas não podem esperar mais”, justificou.
A Linha Circular, com um investimento previsto de cerca de 380 milhões de euros, pretende ligar a estação do Rato ao Cais do Sodré, com duas novas estações - Estrela e Santos -, numa extensão de dois quilómetros, bem como criar um anel circular na Linha Verde, implicando com o trajeto na Linha Amarela a partir do Campo Grande.
O Governo prevê a entrada em funcionamento da Linha Circular no primeiro trimestre de 2027.
Linha Vermelha
Nesta mesma audição, a secretária de Estado da Mobilidade informou que o processo de expansão da Linha Vermelha até Alcântara está pronto para voltar ao Tribunal de Contas, para apreciação do visto prévio necessário para a obra avançar.
“O Metro de Lisboa tem de novo as condições para submeter ao Tribunal de Contas o visto para avançar com a obra”, afirmou a governante, indicando que essas condições ficaram reunidas no final de outubro, após a conclusão do processo de reprogramação financeira do projeto.
Fazendo uma cronologia do cronograma desta obra, a governante explicou que o projeto sofreu sucessivos adiamentos face ao calendário inicial, que previa a conclusão da empreitada no quarto trimestre de 2025.
Em dezembro de 2022, o prazo foi alterado para o segundo trimestre de 2026 e, em março de 2024, passou para o quarto trimestre de 2027.
“Nunca esteve em causa a sua persecução e a sua execução”, ressalvou.
A expansão da linha Vermelha do Metropolitano de Lisboa prevê a construção de quatro novas estações (Campolide/Amoreiras, Campo de Ourique, Infante Santo e Alcântara), num prolongamento de cerca de 4,1 quilómetros entre São Sebastião e Alcântara.
O Conselho de Ministros aprovou, em 29 de outubro, a reprogramação dos encargos financeiros associados ao projeto, no montante global de 405,4 milhões de euros.
O financiamento será assegurado através de empréstimos do Metropolitano de Lisboa junto do Banco Europeu de Investimento e do programa Sustentável 2030.
Linha Violeta parada
Por outro lado, questionada sobre a Linha Violeta, que ligará em metro ligeiro de superfície os concelhos de Odivelas e Loures, a governante explicou que “o assunto continua a ser trabalhado pela Comissão Europeia” e que até à conclusão a obra não poderá avançar.
“Sabemos que está numa fase final de decisão, mas ainda não a temos e, consequentemente, o júri do Metro de Lisboa, que é quem vai proceder à próxima fase do processo, ainda não pode avançar”, atestou.
O concurso, lançado em abril de 2025 pelo Metropolitano de Lisboa relativo à linha Violeta, foi alvo de uma investigação da Comissão Europeia em novembro passado para verificar se a filial em Portugal da fabricante estatal chinesa de material circulante CRRC teve uma vantagem indevida no processo ao receber subsídios estrangeiros ilegais.
A nova Linha Violeta vai ligar Odivelas a Loures, no distrito de Lisboa, em cerca de 11,5 quilómetros de extensão e contará com um total de 17 estações (12 de superfície, três subterrâneas e duas em trincheira) e um parque de material e oficinas de apoio à operação com cerca de 3,9 hectares.
No concelho de Loures, além do parque de material e oficinais, serão construídas nove estações que servirão as freguesias de Loures, Santo António dos Cavaleiros e Frielas, numa extensão de 6,4 quilómetros.
O concelho de Odivelas contará com oito estações que servirão as freguesias de Póvoa de Santo Adrião e Olival de Basto, Odivelas, Ramada e Caneças numa extensão total de 5,1 quilómetros.

