A geografia faz com que Portugal esteja junto à fronteira das placas Euro-Asiática e Africana designada por fratura Açores-Gibraltar, levando a que o nosso território continental e insular tenha um registo assinalável de atividade sísmica. A esmagadora maioria é apenas detetada pelos sismógrafos, mas basta ir ao site do Instituto Português do Mar e da Atmosfera para se ter uma ideia, razão por que, embora em apenas algumas poucas vezes, os abalos que assolaram Portugal entraram em forma de tragédia para a nossa História..O maior de todos fez-se sentir na manhã de 1 de dezembro de 1755, resultando na destruição quase completa de Lisboa, especialmente na zona da Baixa, e atingindo ainda grande parte do litoral do Algarve e Setúbal. Estima-se que terá tido uma magnitude de 8,7 e é considerado o maior da Europa e um dos mais mortíferos da História - a estimativa vai dos 20 mil aos 100 mil mortos. Para este grau de destruição contribuiu o tsunami que se lhe seguiu, com cerca de 20 a 30 metros, e que, além de Lisboa, destruiu, no Algarve, fortalezas costeiras e habitações. As ondas de choque do sismo foram sentidas na Europa e norte da África..Depois de 1755, o sismo mais forte de que há registo deu-se na madrugada de 28 de fevereiro de 1969, com epicentro localizado 200km a Sudoeste do Cabo de S. Vicente. O sul, nomeadamente o Algarve, e a Região de Lisboa foram as zonas mais atingidas pelo abalo de 7,9 na escala de Richter, que se fez sentir também em Espanha e Marrocos. Morreram 13 pessoas, duas em consequência direta do abalo e 11 indiretas, algumas “acometidas de síncopes”, e houve várias dezenas de feridos..No dia seguinte ao sismo, o DN dedicava toda a primeira página ao acontecimento. Uma eternidade em breves segundos: Levará muito tempo a esquecer o pavor da última madrugada de fevereiro, titulava, sendo que lá dentro se ficava a saber que muita gente tinha passado a noite na rua, com as fotos a mostrarem pessoas embrulhadas em cobertores e carros soterrados por paredes que ruíram..No primeiro dia de 1980, às 15.42 locais, um violento tremor de terra 7,2 na escala de Richter nas ilhas Terceira, São Jorge e Graciosa causou 71 mortos (51 na Terceira e 20 em São Jorge) e mais de 400 feridos, o mais mortífero desde 1755, levando o Presidente Ramalho Eanes a decretar três dias de luto nacional. Mais de 15 500 habitações ficaram danificadas e Angra do Heroísmo foi seriamente atingida..Nas edições de 3 e 4 de fevereiro do DN as imagens de destruição são reveladoras, acompanhadas de títulos como "A nossa cidade está desfeita". A reconstrução de Angra foi um feito, apenas três anos depois foi classificada pela UNESCO como Património Cultural da Humanidade..ana.meireles@dn.pt