"O maior número de incidentes entre 2020 e 2024 é, de longe, de extrema-esquerda e anarquistas"
FOTO: Leonardo Negrão

"O maior número de incidentes entre 2020 e 2024 é, de longe, de extrema-esquerda e anarquistas"

Na análise ao radicalismo, ameaças e tendências, que aconteceu no colóquio "Coesão Social e os Desafios da Polarização Urbana", alertou-se para os perigos para os jovens do uso excessivo da net.
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Atenção à radicalização, ao deixar-se levar pelo medo, às atitudes dos jovens que cada vez estão mais isolados e ao aumento da tendência de menorizar e atacar as mulheres.

Estes foram alguns dos alertas que os participantes no painel "O Panorama Nacional da Radicalização - Ameaças e Tendências", que integra um colóquio promovido pela Polícia Municipal de Lisboa, deixaram durante a manhã desta segunda-feira (4 de maio) no Teatro Aberto, em Lisboa.

Falou-se de radicalização, da necessidade de acompanhar os jovens e crianças que são "vítimas vulneráveis", como frisou Patrícia Silveira, a diretora da Unidade Nacional de Contraterrorismo da Polícia Judiciária. E analisaram-se os extremismos que existem na sociedade.

Neste ponto, o professor catedrático Luís Tomé referiu-se aos problemas "relacionados com a radicalização e o extremismo, à violência política e ao terrorismo".

"Temos gente muito mais nova, entre os 15 e os 25 anos. O que me preocupa são os extremismos que vêm das pontas dos espectros políticos, de todos os espectros políticos", disse.

"Segundo dados da Europol, o maior número de incidentes de 2020 a 2024, foram de longe de extrema-esquerda e anarquistas. Mas, quando se fala em violência política, em extremismo ou radicalização, só se fala no extremo direito. E um fenómeno preocupante e nos últimos tempos é a mistura entre as tradicionais variáveis. Por exemplo, quando nós vemos certos ataques contra a comunidade judaica, e isto pode vir da esquerda e da direita", sublinhou.

Já Manuel Gonçalves, do Serviço de Informações de Segurança, lembrou que Portugal "é um dos países mais seguros do mundo" e que "muitas vezes estamos a falar de perceções".

Para este especialista há três tipos de radicalização: islamista, de extrema direita e de extrema esquerda. "E em todas notamos um crescimento", acrescentou.

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Destacou ainda a "questão do medo": "Não podemos deixar de respeitar o outro como ele é. Cabe a cada um de nós contrariar isso".

Um outro tema em análise no encontro "Coesão Social e os Desafios da Polarização Urbana: Uma Estratégia Local de Segurança", passa pela ação da Polícia Judiciária e a sua área de intervenção.

De acordo com as análises da PJ, segundo a diretora da Unidade Nacional de Contraterrorismo, Patrícia Silveira, "há tendências que estão a sendimentar-se na sociedade. Existe uma tendência de menorizar e atacar as mulheres. Existem outras como a radicalização online das crianças jovens".

Esta última referência foi aproveitada pela responsável da PJ para frisar que desde 29 de março está em vigor um diploma que permite a esta força de segurança "seguir conteúdos online e propor a sua retirada do ambiente online".

Patrícia Silveira chamou a atenção para o facto de os jovens estarem "cada vez mais isolados – são vitimas cada vez mais vulneráveis. Há pessoas no ambiente digital que levam estes jovens e crianças a cometer atos contra eles, contra os outros e até contra animais".

Deixou um apelo para que os pais e educadores tentem detetar indícios de que os jovens estão a ser radicalizados: "isolamento, começar a falar com pessoas online que não dizem quem são, receberem em casa encomendas estranhas, começar a ter gosto por armas, mudanças de relacionamentos". E acrescentou: "Os pais não sabem que isto se passa no silêncio dos quartos".

Lembrou, igualmente, os dados divulgados pela Europol referentes a esta questão: "Em 2024, 29% dos detidos por crimes de terrorismo e extremismo violento eram jovens adultos."

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