"O frio, a chuva, uma pessoa aguenta tudo para ver o Papa"

Os peregrinos chegam quase sempre em grupo, cantando. E param na Capelinha das Aparições para orar. Foi assim durante o dia de hoje e será assim amanhã.

Chegam a cantar, abraçados dois a dois ou três a três. Descem o recinto do santuário em passo lento, todos juntos, em grupo que facilmente se identificam pelas cores das camisolas, pelas bandeiras ou pelos pendões que carregam. Um grupo de cerca de dez pessoas vem de Cascais. Um grupo enorme, várias dezenas, vem de Guimarães. Todos se encaminham para a Capelinha das Aparições. É aí que param. Para rezar, para se abraçarem, para chorarem, entre abraços, com a alegria de quem chegou ao seu destino.

Ana Golaio, professora, vinda de Campo Maior, é uma das que limpa as lágrimas. É a primeira vez que está em Fátima como peregrina, foi também a primeira vez que fez o caminho a pé. Não esconde a emoção após uma semana intensa, na companhia de mais de 50 peregrinos, onde muitas vezes se foi abaixo com o cansaço, com calor, com a chuva que se abateu sobre eles nos últimos dois dias. Nos momentos piores, nos caminhos mais íngremes, cantaram juntos como quem reza. A mesma canção, com ritmo alentejano, que cantaram ao entrar no Santuário. Cada pessoa tem o seu motivo para vir, algo para pedir ou para agradecer. "É um momento para refletir. Também é para isso que serve esta caminhada", diz Ana.

Por agora, ainda não é difícil circular a pé na zona do Santuário. Às 18.30, quando começou a Missa do Peregrino, o recinto estava composto mas não lotado. Este fim de semana, são esperados 26 mil peregrinos em grupos organizados, em Fátima. Mas muitos outros virão. A pé, de carro, de autocarro, de comboio. Muitos já cá estão, muitos irão chegar amanhã, a tempo de assistir à chegada do Papa Francisco, também ele peregrino em Fátima neste 13 de maio..

Junto às grades que, no meio do recinto, já definem o caminho que fará amanhã o Papa, já há peregrinos a reservar o seu lugar. Trouxeram bancos, que prenderam com cadeados e cordas às grades. Trouxeram mantas para se aquecerem quando anoitecer e capaz de plástico para se protegerem da chuva. Benjamim é um desses que está na primeira fila, o mais perto possível do altar. Na noite passada dormiu na Capelinha, esta noite não sabe ainda bem como vai ser. Vem pedir pela mãe, acamada com AVC, e agradecer também pela "graça de Nossa Senhora" que o socorreu num "problema grave de saúde". "A chuva, o frio, uma pessoa aguenta tudo. O importante é estar perto do Papa", diz, determinado.

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