"O facto de o edifício ser construído para os cruzeiros não significa que seja um mero terminal"

João Luís Carrilho da Graça assina o projeto do Terminal de Cruzeiros de Lisboa que é inaugurado hoje

O novo Terminal de Cruzeiros de Lisboa inaugura-se hoje, em Lisboa, com vista para Alfama. O projeto pertence ao arquiteto João Luís Carrilho da Graça, autor do Pavilhão do Conhecimento (Parque das Nações), e pretende ser uma porta de entrada na cidade e, ao mesmo tempo, um novo lugar para os cidadãos da cidade. O ponto de partida para a reconversão deste lugar de quase 8 mil metros quadrados em Santa Apolónia em Terminal de Cruzeiros foi um concurso público muito participado, lançado pela Administração do Porto de Lisboa, cujo vencedor foi conhecido em 2010. Aires Mateus, ARX Portugal, Guillermo Vasquez Consuegra e Zaha Hadid receberam menções honrosas.


O Terminal de Cruzeiros é inaugurado hoje. Temos mais turistas hoje em Lisboa. Se tivesse de novo folha branca à frente, mudaria alguma coisa?
Não, absolutamente nada. A decisão de construir naquele lugar estava tomada. Há a necessidade de encaminhamento das pessoas que chegam, mas também a necessidade de fazer circular o trânsito, que está prevista. O terminal funciona em conjunto com outros terminais de transportes. O objetivo é partirem de Lisboa e voltarem. A questão da quantidade de turistas não se põe só com os cruzeiros, porque eles chegam de outras maneiras, de avião... O edifício foi pensado como um aeroporto com uma continuação - o parque urbano. As pessoas podem ir à cobertura, tem um miradouro extraordinário. A vista é fabulosa. Resolvemos finalmente a chegada e a partida de milhares de pessoas, mas demos também uma contrapartida à cidade. Talvez não devesse ser eu a dizer isto, mas o facto de o edifício ser construído para os cruzeiros não significa que seja um mero terminal, banal. Este tem uma localização privilegiada para a cidade e para o Mar da Palha. Isso, em certa medida, cria condições para que a chegada a Lisboa tenha um enquadramento diferente, que não seja uma banalidade.

Neste projeto usa um material novo, betão e cortiça. É para continuar?

Espero continuar. Pensei usar em outro projeto, mas este começou mais cedo. Acabou por ser o primeiro. É muito interessante independentemente do projeto. O sistema de fundações já estava feito e não permitia um peso superior ao que já suportavam e fui impelido para este betão estrutural com menos 40 por cento de massa, que pode ser usado na construção de paredes, quase como se fosse pedra. Tem capacidades de isolamento e resistência únicas. Dá uma certa leveza em relação ao volume. São os cruzeiros que estabelecem a principal relação com o edifício, enquadrado naquele parque com as árvores e com Alfama.

Está a ser construído outro projeto da sua autoria no Campo das Cebolas (antiga ribeira velha). Já se pode falar numa Lisboa de Carrilho da Graça?

(Risos) É um bocado exagerado. São dois concursos completamente diferentes, que coincidiram no tempo.

Já teve oportunidade de ver o edifício do Terminal de Cruzeiros desde o rio?

Não, ainda não. Talvez seja amanhã [hoje].

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