O curioso caso dos passageiros da PAN AM retidos na Horta na II Guerra

Os trinta passageiros acabaram por editar um jornal

Trinta passageiros de dois hidroaviões da PAN AM retidos na Horta, nos Açores, aquando da Segunda Guerra Mundial, acabaram por editar um jornal que motivou agora a edição de um livro do professor universitário e historiador Carlos Riley.

"O livro reporta-se a um episódio bastante curioso que sucedeu praticamente no início da escala aérea regular da PAN American Airlines de Lisboa para Nova Iorque, ocorrendo no Natal de 1939. Dois hidroaviões, com cerca de 30 passageiros, amararam na Horta para abastecer de combustível, mas devido ao mau tempo que se fazia sentir ficaram retidos", disse à agência Lusa Carlos Riley.

O historiador referiu que, como os passageiros estavam desocupados na cidade da Horta, ilha do Faial, um núcleo editorial deste grupo resolveu imprimir numa tipografia local um jornal com o título 'The Horta swell", tendo sido editados seis números, todos escritos em inglês.

O autor do livro "The Horta swell - crónica de um Natal transatlântico 1939 D.C.", e editado pelo Núcleo Cultural da Horta, referiu que como se tratavam de hidroaviões e a ondulação levantou mais do que o habitual, os aparelhos, também conhecidos por 'cllipers', não conseguiram partir, tendo os passageiros, que pretendiam passar o Natal e o Ano Novo em Nova Iorque, com os seus familiares, ficado retidos cerca de três semanas.

O período em que os hidroaviões da PAN AM realizam escalas de reabastecimento nos Açores, na cidade da Horta, compreende a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), tendo os voos regulares arrancado em maio de 1939.

Carlos Riley contextualizou que a rota Nova Iorque-Lisboa realizava-se numa altura em que Portugal assumia um "estatuto de neutralidade" perante o conflito mundial, assumindo-se a capital portuguesa como uma "porta de saída" para um "movimento invulgar" de pessoas, desde refugiados de guerra a altos diplomatas dos Aliados.

O historiador referiu que a linha editorial do jornal tinha um "tom de sarcasmo e humor" dirigido à PAN AM, como quando se afirmou, por exemplo, que uma travessia aérea do atlântico, a avaliar pelo seu caso, demorava mais tempo do que a chegada de Cristóvão Colombo à América.

A PAN AM foi a primeira companhia aérea a inaugurar e manter, com regularidade, o transporte aéreo de passageiros e de correio, entre a Europa e a América, tendo, a propósito, o historiador considerado que "este episódio, independentemente destes contornos pitorescos", ocorreu num contexto em que, em termos da história da aviação comercial, se "começavam a dar os primeiros passos" entre os dois continentes.

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