Número do azar marca a vida do "barão da droga" do Porto

Vítor do Ouro, alegado patrão do tráfico na Invicta, gere o café Bola 13 e ficou com esse mesmo número na prisão

Número da sorte para alguns, de azar para outros, o 13 está colado à pele de Vítor Cardoso, mais conhecido por Vítor do Ouro. O alegado "barão da droga" do Porto, detido na véspera de Natal pela Polícia Judiciária (PJ), gere o café Bola 13, no bairro da Sé, e agora ficou com o mesmo número de recluso na cadeia anexa à PJ do Porto, onde está a cumprir prisão preventiva. Segundo apurou o DN com fontes prisionais, a direção da cadeia ainda não decidiu medidas especiais de vigilância para o alegado traficante, detido em flagrante com 25 quilos de droga (20 de heroína e cinco de cocaína). Vítor foi para uma cela onde havia vaga, com outros dois reclusos.

A prisão não é um lugar estranho para Vítor do Ouro. O homem que controlaria a partir do seu café as encomendas de heroína e cocaína, a fornecedores portugueses e também, alegadamente, a espanhóis, já cumpriu pena por tráfico de estupefacientes em 1999, na cadeia de Santa Cruz do Bispo.

Vítor Cardoso, 45 anos, portista dos sete costados, está agora no estabelecimento prisional anexo à PJ do Porto, onde ficam muitos dos presos preventivos do Norte. Há até alguns criminosos, como os sexuais, que são enviados propositadamente para ali, para ficarem mais resguardados dos possíveis castigos dos outros, adiantam as mesmas fontes. No caso de Vítor do Ouro, a proximidade do espaço prisional à PJ permitirá a esta polícia ter um maior controlo sobre as movimentações do arguido na cadeia.

Fora dos estabelecimentos anexos a edifícios-sede da PJ, há reclusos que continuam os seus negócios do tráfico a partir das cadeias, utilizando até as mulheres ou as namoradas como correios de droga nas visitas autorizadas.

O alegado "barão da droga" do Porto tem uma vasta teia de contactos que, segundo avançava ontem o Correio da Manhã, incluirá até a claque dos Super Dragões e o seu líder, Fernando Madureira. Como a investigação da PJ vai prosseguir, e podem vir a ser constituídos mais arguidos, ter Vítor do Ouro debaixo do olho da guarda prisional é fulcral. Entretanto, a sua mulher e dois empregados detidos com ele na véspera do Natal foram libertados. A mulher terá pago cinco mil euros de caução. Já o casal de colaboradores ficou apenas sujeito a apresentações periódicas às autoridades até ao julgamento. Na ausência de Vítor, terão um café para gerir, o Bola 13, na Rua Escura, no bairro da Sé.

Vítor do Ouro era suspeito de controlar, a partir desse estabelecimento, um pequeno império. Além de vender finos e sandes, o alegado traficante faria no café os contactos com os supostos fornecedores de heroína e cocaína, segundo relatava a imprensa de ontem, droga que era depois vendida para os dois maiores entrepostos do tráfico no Porto: os bairros da Sé e do Aleixo.

Mas a venda da droga nunca acontecia no interior do café e o "patrão" também não tocava diretamente no produto. O Correio da Manhã avançava ontem que Vítor do Ouro levava "uma vida de luxo", e que conduzia um Audi A7 e a mulher um Porsche Panamera, e viveriam numa moradia faustosa. Informações que o DN tentou ontem confirmar com fontes da PJ do Porto, mas os contactos foram em vão.

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