Em pouco mais de seis meses, o novo programa de imigração regulada está a preparar a chegada de algumas dezenas de trabalhadores estrangeiros vindos de África. O “Mover” tem, neste momento, 61 pessoas a frequentar formação pré-partida, de acordo com dados facultados ao DN pela Organização Internacional para as Migrações (OIM). Esta iniciativa foi lançada em dezembro do ano passado, com foco na “mobilidade laboral segura entre Portugal, Angola e Cabo Verde” para suprir as necessidades do mercado de trabalho português.Até o final do próximo mês, está confirmada a chegada de mais participantes. “Está prevista a chegada a Portugal, até ao final de agosto, de mais 15 participantes, atualmente a aguardar a emissão de visto ou a marcação da viagem: sete provenientes de Cabo Verde e oito de Angola”, complementa a OIM, que promove o programa. A entidade conta com o apoio da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), da Associação Empresarial de Portugal (AEP) e da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP).Outras 46 pessoas receberam apoio individualizado em matérias relacionadas com a empregabilidade, enquanto um imigrante, de Angola, já está em Portugal.A mesma fonte oficial da OIM avança que adicionalmente, estão planeadas três novas sessões de apoio individualizado, cada uma com dez participantes, que deverão decorrer até ao final deste mês de julho. O trabalho para apoiar a vinda destes imigrantes continua. “Foram também lançadas campanhas de comunicação em Angola e em Cabo Verde, com o objetivo de divulgar o projeto e disponibilizar informação sobre migração laboral segura, regular e informada”, destaca Vasco Malta, chefe da OIM em Portugal.A meta é apoiar a entrada regular no país de 320 imigrantes de Angola e de Cabo Verde, além de orientar 800 cidadãos migrantes para processos de recrutamento. O objetivo é que os profissionais, em especial os jovens, venham trabalhar para Portugal com acompanhamento ao longo do processo, incluindo a integração, através de aulas de português técnico e apoio social. Está previsto que pelo menos 20 empresas participem no projeto, acolhendo estes profissionais. Estas empresas possuem acesso a um banco de dados com perfis de profissionais Angola e Cabo Verde, orientados sobre trabalhar em Portugal e “alinhados com as necessidades dos setores prioritários”. A escolha dos países para integrar o programa foi baseada na relação histórica com Portugal, na facilidade com a integração com a proximidade cultural e partilha do mesmo idioma.Este projeto assenta na premissa de que Portugal enfrenta uma escassez de mão de obra. No lançamento do “Mover”, foram apresentados alguns números que ilustram esta realidade do mercado de trabalho português: faltam cerca de 80 mil trabalhadores na área da construção civil, com 40% dos serviços sem resposta; há carência de profissionais na hotelaria e no turismo, setor que representa 10% do PIB, onde 18,3% da mão de obra é composta por imigrantes; e na agricultura, onde a escassez é classificada como estrutural. “A escassez de mão de obra não é um tema futuro. É uma realidade diária para muitas empresas em vários setores da economia”, destaca Luís Miguel Ribeiro presidente do Conselho de Administração da Associação Empresarial de Portugal, em vídeo que consta na página do programa.Entre as vantagens do “Mover”, os empresários destacam a “maior previsibilidade dos prazos, redução da complexidade administrativa e segurança de cumprir todos os requisitos legais”. .Turismo de Portugal abre vagas para formação de imigrantes com bolsa.Governo inverte lógica da migração: mais vistos nos consulados, menos pedidos no território