Novo medicamento oferece esperança no tratamento do Alzheimer

Testes clínicos mostram que o medicamente talvez ajude a retardar a evolução da doença

Um novo medicamento que parece retardar a perda de memória causada pela doença de Alzheimer está a deixar a comunidade científica entusiasmada. A substância foi descrita como "um passo importante" no tratamento da doença.

O Aducanumab destrói as placas de proteína que se acumulam no cérebro de pacientes com Alzheimer, os amiloides.

Os testes clínicos do Aducanumab ainda não foram concluídos, mas os primeiros resultados são promissores, segundo o artigo publicado na última edição da revista Nature. A investigação e os testes do medicamento estão a ser liderados pela Universidade de Zurique, na Suíça, e pela empresa Biogen.

Os investigadores têm tentado durante muitos anos alterar a quantidade de amiloide presente no cérebro dos doentes com Alzheimer, mas apenas agora parecem ter conseguido. O estudo, que envolveu 165 pessoas, mostrou que o efeito do medicamento na memória foi positivo e que quanto maior a dose menos placas de amiloide os pacientes tinham.

Contudo, 40 participantes desistiram do estudo devido aos efeitos secundários, que também pioravam quando a dosagem aumentava.

É necessária que seja realizada agora a terceira fase do estudo, "para confirmar os resultados vistos" até ao momento, segundo o responsável da empresa Biogen, Alfred Sandrock.

"No futuro, poderia tratar pessoas que não têm sintomas porque se têm amiloide no cérebro é provável que venham a ter Alzheimer", afirmou Alfred Sandrock, segundo a BBC.

A descoberta tem deixado a comunidade médica impressionada, principalmente porque o último medicamento aprovado para o tratamento do Alzheimer surgiu há mais de dez anos.

O responsável pelo departamento científico da instituição Alzheimer Research UK, David Reynolds, afirmou à BBC que os resultados apresentados no estudo são uma "prova entusiasmante de que uma nova classe de medicamentos para tratar a doença está no horizonte".

O diretor de investigação da instituição Alzheimer's Society, James Pickett, disse ao mesmo jornal que a parte mais "convincente é que quanto maior é a dose do medicamento mais amiloide desaparece".

Isto é inovador porque nenhum tratamento atual "interfere diretamente com a evolução da doença, e por isso uma droga que realmente atrasa o progresso" do Alzheimer ao fazer o amiloide desaparecer representa "um passo importante", conclui.

A Doença de Alzheimer é a forma mais comum de Demência, constituindo cerca de 50% a 70% de todos os casos. Estima-se que cerca de 5% dos indivíduos com mais de 65 anos sofram de demência.

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