Novo ano letivo. Turmas já têm quase todos os professores atribuídos

Apesar dos bons resultados nas colocações, a informática continua a ser a área com maior escassez de docentes. Professores e escolas pedem resolução da instabilidade

"Foram pedidos 13.101 horários nesta fase e, destes, 97,7% tem professor atribuído." Este foi o balanço feito pelo Ministro da Educação, João Costa, tendo em conta o resultado do concurso de professores, cujas listas de colocação nas escolas foram divulgadas ontem.

As turmas do próximo ano letivo já têm praticamente todos os professores atribuídos. Este ano vincularam aos quadros do ministério 3259 professores, "mais do que o que foi conseguido nos últimos dois anos", anunciou o ministro, sublinhando que "desde 2015 entraram nos quadros do ministério 14.259 professores que eram contratados e hoje têm vínculo".
José Feliciano Costa, secretário-geral adjunto da Federação Nacional dos Professores (FENPROF), não é tão otimista e conta ao DN que, apesar do aumento do número de vagas para professores, tendo em conta os números dos anos anteriores, "as vagas que abrem são sempre muito diminutas e ficam muito aquém das necessidades". "Continua-se a trabalhar numa instabilidade", defende.

Para o sindicalista, "este é um problema complicado que se vai arrastando... As necessidades vão ser cada vez maiores, o número de professores que se aposentam aumenta de ano para ano e o ministério continua a não fazer corresponder os lugares permanentes de quadro".

O secretário-geral adjunto da FENPROF reforça o problema com o envelhecimento dos professores e a falta de atratividade da profissão para os mais jovens. "Tem que haver um investimento na formação inicial de professores, e isso passa também por atrair jovens para a carreira", justifica.

De acordo com o ministro da Educação, as habilitações necessárias para lecionar vão ser alteradas, para permitir alargar o leque de potenciais candidatos para o ensino, idealmente já a partir do mês de setembro.

João Costa explica que, em vez de se associar a habilitação própria para a docência às listas de licenciaturas, se irá "olhar para o percurso formativo dos candidatos", tendo em conta as disciplinas realizadas no ensino superior em determinadas áreas, o que pode ajudar a suprir necessidades de disciplinas problemáticas, como a Informática, que este ano é a com mais falta de professores.

Feliciano Costa, da FENPROF, admite que a disciplina "tem sido um problema todos os anos letivos, visto que não existe muita oferta inicial da formação de professores para esta área". Logo, concorda, é imperativo alterar as habilitações necessárias para dar aulas. "Baixar o nível de habilitações para dar aulas não implica que se baixe o nível de rigor e exigência", diz.

Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), apresenta uma perspetiva positiva quanto ao mais recente balanço da colocação de professores: "É agradável saber que quase 100% dos professores estão colocados antes do mês de setembro." Porém, destaca que "é necessário corrigir algumas situações a nível da recondução de professores por parte dos diretores das escolas. Gostaria de ver reforçada esta situação, que na maior parte dos casos não foi observada, tendo em conta as regras do concurso. Na maioria dos casos, não se teve em conta os pedidos dos diretores na recondução dos seus professores", justifica.

Para o responsável da ANDAEP, "a escassez de professores neste momento é um problema transversal", não se aplicando exclusivamente ao ensino da informática. Portanto, considera que só a partir de setembro é que se poderá verificar de facto "quais são os grupos que poderão ser mais prejudicados em relação a essa escassez".
Filinto Lima afirma que "não gostaria que a falta de professores se continuasse a repetir no próximo ano letivo", sendo importante "perceber que grupos de recrutamento é que neste momento ainda estão deficitários no número de professores".

Para o próximo ano letivo, as expectativas são distintas. José Feliciano Costa acredita que vai persistir o problema da falta de professores e consequentes turmas sem aulas. "Não estou a ver de que forma é que com o corpo docente envelhecido e com a falta de atratividade para os mais jovens isto possa ser já resolvido. Além disso, mesmo com o aumento das vagas, vão sempre surgindo necessidades ao longo do ano que são condicionantes."

Já Filinto Lima considera que os portugueses "devem ser otimistas. A covid-19, entre outros problemas, ainda permanece, mas acho que vamos entrar numa nova normalidade", diz.

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25.858

Substituições Quase 26 mil professores estão disponíveis para serem colocados ao longo do ano letivo em substituições que sejam necessárias. Destes, 871 são do quadro.

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7099

Colocações Dos 97,7% de professores atribuídos, 7099 foram colocados em contratação inicial, correspondendo a novos professores. Já 5692 foram colocados em mobilidade interna.

Com Lusa

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