Presença regular no ranking das melhores escolas de Economia e Gestão do Financial Times, a Nova SBE vai avançar com uma proposta de separação oficial da Universidade Nova de Lisboa (UNL), sabe o Diário de Notícias. O dossier deverá chegar à secretária do ministro Fernando Alexandre na primeira semana de abril.O objetivo é um - e conhecido, aliás: a Nova SBE quer libertar-se do que considera ser os constrangimentos e burocracias que envolvem a Universidade Nova de Lisboa para poder concorrer em pé de igualdade com as suas congéneres internacionais, e não perder lugares entre as melhores do mundo. Recorde-se que a Nova SBE garantiu o 6.º lugar entre os melhores Mestrados em Finanças do Mundo - e a 5.ª posição na Europa, no ano passado. Foi uma subida de cinco lugares no ranking do FT, desde 2023. No indicador de mobilidade internacional na carreira, a Nova SBE é atualmente a 2.ª Melhor do Mundo.Ao longo dos anos, várias vozes críticas - entre as quais se destaca a do professor catedrático e fundador do Campus de Carcavelos, Pedro Santa-Clara - têm acusado a UNL de travar o desenvolvimento da Nova SBE como escola de referência internacional, por lhe recusar uma autonomia que consideram necessária à manutenção do estatuto de uma das melhores entre as escolas de economia e finanças da Europa e também do mundo.."Divórcio" da Nova SBE? Pedro Santa Clara propõe independência total após "ato hostil" da Reitoria.O diferendo entre a Nova SBE e UNL subiu de tom, e tornou-se mais vocal, em fevereiro deste ano, aquando da publicação de um despacho assinado pelo reitor da Universidade, Paulo Pereira, impondo a utilização de nomes em português em todas as faculdades da UNL.Um movimento que a Nova SBE interpretou como um ataque direto ao seu posicionamento, e uma tentativa de descaracterização da marca internacional que tem vindo a construir. O reitor da Universidade Nova de Lisboa, Paulo Pereira, afirmou recentemente, em entrevista ao jornal Eco, que a imposição dos nomes em português resulta da lei e sublinha que esta “não prejudica a estratégia de internacionalização das unidades orgânicas” - entre elas, Nova SBE e Nova School of Law..O que a lei realmente diz sobre denominações de faculdades em inglês: nada.Recorde-se que a Nova SBE tem, atualmente cerca de 60% de alunos estrangeiros - no Executive MBA este número dispara para 80% - o que reflete a reputação internacional da instituição, e também a elevada taxa de empregabilidade global que tem registado. Comparativamente, a Católica Lisbon School of Business & Economics (instituição privada), tem cerca de 35% a 40% de alunos estrangeiros. O ISCTE, também ele público, não vai além dos 25%.Ora, segundo fontes ouvidas pelo DN, terá sido precisamente este desempenho da Nova SBE que tem incomodado os membros do atual conselho geral da Universidade Nova. “A história da marca foi só o primeiro tiro: o objetivo é também a homogeneização dos salários, a centralização dos serviços… no fundo, retirar a pouca autonomia que tem permitido à Nova SBE continuar a evoluir”, diz uma das fontes com conhecimento direto deste processo. Recorde-se que desde a transformação da Faculdade de Economia da UNL em Nova SBE, o modelo de financiamento da escola tem sido misto, com recurso ao mecenato de empresas e particulares, muitos deles antigos alunos, o que tem sido fundamental para o desenvolvimento da instituição.O currículo é todo ministrado em inglês, e em vários cursos cerca de 50% dos docentes são estrangeiros.Que modelos?Apesar de não se saber que modelo quererá a Nova SBE seguir, o DN sabe que poderá tentar uma desvinculação total da UNL para se tornar uma Universidade autónoma, mas ainda de carácter público; transformar-se numa Universidade totalmente privada ou então optar por uma solução de consenso - que exigiria a concordância da Reitoria, o que deverá ser difícil -, que seria ter muito mais autonomia dentro da UNL. O que é certo é que este passo, que agora parece não ter retorno, deverá impactar, de qualquer forma, a relação entre UNL e Nova SBE para o que quer que seja que venha no futuro.A crise, se lhe quisermos chamar assim, entre a Nova SBE e a Universidade Nova de Lisboa, veio reacender um debate antigo sobre autonomia universitária, governança e o posicionamento das universidades nacionais no atual contexto de educação global. Mas a razão pela qual a proposta de separação aparece neste momento poderá prender-se não tanto com o escalar da crise, mas sim com o ministro que ocupa a pasta da Educação, que poderá ver com bons olhos esta separação.É que foi Fernando Alexandre que conseguiu a aprovação do novo Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES), em 2025, que não era mexido desde 2007. Quando o apresentou, o ministro assinou um artigo de opinião no jornal Público, no qual defendia maior autonomia das instituições, mecanismos para impedir a endogamia e para promover a captação de talento e a internacionalização das instituições nacionais. O novo RJIES tenta, na verdade, aproximar a maioria das escolas do modelo que tem sido seguido pela Nova SBE, tornando o modelo menos exceção e mais regra.Mas mesmo antes de chegar ao ministério, quando era professor da Universidade do Minho, por várias vezes Fernando Alexandre falou publicamente na necessidade de a Academia competir globalmente por talento, reforçando a internacionalização do Ensino Superior, e garantindo fontes de financiamento diversas, que permitam um melhor desempenho e menor dependência do ciclo político, e também uma maior colaboração entre público e privado, na Educação, por forma a tornar os estudantes e a investigação nacionais muito mais competitivos. A separação ou não da Nova SBE da UNL depende agora de uma decisão sua..Nova SBE: um caso de sucesso que não precisa de tradução