Quase diariamente, há notícias de prisões preventivas em casos de violência doméstica no país. A medida de coação mais gravosa é particularmente aplicada quando há insistência do agressor e risco para a vítima.De facto, nunca houve tantos arguidos em prisão preventiva por crimes de violência doméstica desde que a Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) começou a divulgar esta série estatística, em 2018. No final do segundo trimestre deste ano estavam 415 pessoas nesta medida de coação, um aumento de 5,1% face ao mesmo período de 2025 e de 4,3% em relação ao trimestre anterior.Os dados foram divulgados esta quarta-feira, 04 de agosto, pela Comissão para a Cidadania e e Igualdade de Género (CIG). A evolução representa um aumento de 28,1% em relação ao segundo trimestre de 2023, quando estavam 324 arguidos em prisão preventiva por este crime. Desde então, o número tem vindo a crescer quase de forma contínua.Enquanto as prisões preventivas atingiram um máximo da série histórica, também as penas de prisão efetiva continuaram a aumentar. No final do segundo trimestre estavam 1.228 condenados a cumprir pena por crimes de violência doméstica, um aumento de 15,2% face ao mesmo período do ano passado e de 1,6% em relação ao trimestre anterior, igualmente o valor mais elevado desde o início da série estatística.Em relação às mortes, entre abril a 30 de junho foram sete vítimas mortais. Como é o padrão em casos de violência doméstica, as mulheres são maioria (com cinco no total), além de uma criança e um homem. O número representa um aumento face ao trimestre anterior (seis homicídios), mas uma redução em comparação com o segundo trimestre de 2025, quando foram registadas oito mortes.Sobre as participações por violência doméstica, estas voltaram a subir entre abril e junho. No período foram registadas 7.871 ocorrências, um aumento de 13,3% face aos três meses anteriores e de 2% em comparação com o segundo trimestre de 2025.amanda.lima@dn.pt.Mais de 430 detidos por violência doméstica no primeiro trimestre pela PSP.Número de pulseiras eletrónicas no âmbito de violência doméstica aumentou 222% em 10 anos