O relatório anual do Instituto Nacional de Estatística (INE) sobre o número de partos e de nascimentos em Portugal, no ano de 2025, foi publicado nesta segunda-feira, dia 8 de junho, e revela que a tendência é de crescimento, com mais partos, o que contraria a realidade registada de 2023 para 2024. Ao todo, segundo o INE, foram realizados 87.130 partos, mais 3071 do que em 2024, representando um aumento de 3,7%, o que contraria a queda registada anteriormente. Do total de partos e de nascimentos, 99,7% ocorreram de mães residentes no país (86.869), e 0,3% (261) de mães com nacionalidade portuguesa mas residentes no estrangeiro. Uma proporção que o INE, na sua análise, explica ser “semelhante às dos últimos dois anos”. Mas se há algo que o INE destaca são os partos ocorridos na região Norte, onde se registou um aumento de quase seis por cento (5,9%) em relação aos partos do ano anterior. Depois, destaca também o aumentos de cinco por cento em várias outras regiões, como Centro, Península de Setúbal e Açores. Contudo, e como é referido no documento, a região Norte contribuiu em quase metade (1,8 pontos percentuais) para o aumento de 3,7% do número de partos em todo o país durante o ano de 2025.Ou seja, 29,8% dos partos de mães residentes no país foram registados na região Norte, que ultrapassou assim a região da Grande Lisboa, que registou 25,6% do total de partos, seguindo-se depois a região Centro com 13,7% dos nascimentos, a Península de Setúbal com 9,7% e a região do Oeste e Vale do Tejo com 7,7%. Na verdade, e devido ao aumento de 3,7% de partos, quase todas as regiões registaram uma subida no número de nascimentos em 2025. Só a Região Autónoma da Madeira é que registou uma diminuição de 3,3% em relação ao ano anterior.Diogo Ayres Campos, ginecologista-obstetra e membro da Comissão Nacional da Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente, diz ao DN não ter uma explicação concreta para este fenómeno registado no Norte, mas “pode, tão só, ter a ver com o adiar de projetos após uma crise de saúde como a que houve até 2022 com a pandemia da covid-19”. Segundo o médico, estes “fenómenos de baby boom são conhecidos também noutros locais do Planeta e de outras eras, como houve nos anos seguintes à Gripe Espanhola, no século XX. É muito natural que estas crises tenham algum efeito nas pessoas e na sua perspetiva de vida, levando-as a adiar alguns projetos”. . O documento do INE destaca ainda que, em 2025, o aumento de partos por parte de mães de nacionalidade estrangeira voltaram a aumentar, representando já 28,8% do total, em 2024 representavam 26,3% do total. No entanto, é ainda especificado, que o indicador de partos de mães estrangeiras teve maior expressividade em regiões como a do Algarve e da Grande Lisboa, e menos nas Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores e nas regiões Norte e Centro e no interior alentejano. A análise deste indicador revela que mais de metade das mulheres de nacionalidade estrangeira deram à luz em Aljezur (72,9%), Odemira (65,9%), Corvo (60,0%, com um registo total de apenas cinco partos), Albufeira (56,8%), Entroncamento (56,1%), Barreiro (53,8%), Amadora (53,3%) e Odivelas (45,5%). Sendo que em relação ao país de origem destas mães, destaca-se o Brasil, com 10,5% dos partos, depois Angola com 2,6%, Cabo Verde com 2,2%, São Tomé e Príncipe com 2,0%, Guiné Bissau com 1,9%, Índia com 1,3%, Bangladesh com 1,2%, Nepal com 1,1% e o Paquistão com 0,7%. Mais partos de mulheres com 35 anos e mais partos de gémeosOutra questão abordada neste relatório é a do aumento do número de primeiras gravidezes em mulheres acima dos 35 anos. Segundo o INE, em 80,6% dos partos realizados em 2025, as mães tinham entre 25 e 39 anos (70.182 partos), sendo que em 33,5% do total de partos as mulheres tinham entre 30 e 34 anos. Nos últimos 20 anos, entre 2003 e 2025, o número de partos de mulheres entre os 45 e os 49 anos passou de 196 para 573 e o número de parturientes com 50 ou mais anos passou de 6 para 51. No mesmo período, a proporção de partos de mães com 35 ou mais anos passou de 17,2% para 32.0% do total de partos. Para Diogo Ayres Campos, “mais importante do que observar a percentagem de partos de mulheres com mais de 35 anos é a idade média do primeiro filho, e esta tem vindo a aumentar em todos os países da Europa Ocidental, Portugal não é exceção. E esta deve andar à volta dos quase 33 anos, o que significa, mais uma vez, que as pessoas vão adiando os seus projetos reprodutivos face aos projetos profissionais e outros”. Um facto que, depois, pode estar associado ao aumento de partos gemelares, porque quanto mais se adia a idade reprodutiva mais necessidade há do apoio de técnicas de produção medicamente assistida. Aliás, no documento, o INE sustenta mesmo na sua análise que, no ano de 2025, a proporção dos partos gemelares (com dois ou mais nascimentos) aumentou com a idade das mães: 40,4% dos partos gemelares ocorridos em 2025 respeitavam a mães com 35 ou mais anos, enquanto a proporção dos partos simples nas mesmas idades foi de 31,9%. . Ao DN, Diogo Ayres Campos explica: “Há gémeos espontâneos e gémeos consequentes, estes de técnicas de produção medicamente assistida, e o que temos vindo a assistir, nos últimos anos ou nas últimas décadas, é a um aumento de gémeos por causa destas técnicas, porque à medida que as mulheres vão adiando o seu projeto reprodutivo vão tendo mais dificuldade em engravidar e têm de recorrer mais frequentemente às técnicas de produção medicamente assistida”. Acrescentando: “Em Portugal, há o cuidado de transferir apenas um embrião, quando são mulheres muito jovens, mas em mulheres com mais idade, geralmente transfere-se dois para aumentar a probabilidade de um deles vingar, e isto pode levar a partos gemelares. Mas, mais uma vez, esta realidade não é só do nosso país. É uma realidade de toda a Europa Ocidental e dos Estados Unidos da América, onde o número de partos gemelares é muito maior do que em Portugal”. De acordo com os dados do INE, em 2025, 98,5% dos partos ocorreram num estabelecimento hospitalar e 1,0% (836) no domicílio da parturiente, correspondendo os restantes 0,5% a partos ocorridos noutros locais. A quase totalidade dos partos (99,0%) foram assistidos por médico (72,3%) ou enfermeira parteira (26,7%). Por outro lado, têm aumentado também o número de partos por cesariana realizados em hospitais, representando já mais de metade dos partos. Entre 1999 e 2024, o número de partos por cesariana aumentou de 27,1% para 38,6%. Relativamente à natureza dos partos, o INE refere que, em 2025, 92,5% dos partos foram de natureza simples, as parturientes tiveram uma gravidez com duração superior a 37 semanas. No caso dos partos de natureza gemelar, esta proporção diminui para 37,9%. Neste tipo de parto, a gravidez durou entre as 32 e as 36 semanas em 52,6% dos casos..Mais bebés de mães estrangeiras e de mães acima dos 35 anos em 2025