"Não correu mal, estive um bocadinho na fila, mas também correu bem das outras vezes"

Novo centro promete vacinar mais do dobro das três unidades encerradas. No dia de estreia não chegaram às cinco mil doses inoculadas, 80 % contra a covid-19. Também porque durante a tarde apareceu pouca gente sem marcação.

Centro de Vacinação Covid (CVC) da FIL, em Lisboa, viveu o primeiro dia com a azáfama de quem está a começar. Bombeiros, polícias, administrativos, voluntários e enfermeiros todos a tentar garantir que os utentes fossem vacinados o mais rápido possível. Durante a manhã, esperaram cerca de uma hora os que tinham marcação, mais 30 a 45 minutos para quem não marcou (Casa Aberta). A partir das 13:00 não havia pessoas na rua e foi diminuindo o fluxo de pessoas que foram ao Parque das Nações sem ter agendado. As críticas ouviam-se de quem mora em Benfica, Campolide ou Arroios e teve de ir para a outra ponta da cidade.


O novo centro de vacinação de Lisboa quer vacinar o dobro do que faziam as três unidades fechadas: Cidade Universitária, Areeiro e Príncipe Real. Seis mil doses diárias com a promessa do presidente da autarquia, Carlos Moedas, de ir até aos nove mil. Números que neste primeiro dia não foram alcançados. Administraram-se 4 952 doses, 3967 contra a covid-19 e 985 contra a gripe.

Também porque os lisboetas não arriscaram aparecer à tarde sem marcação, talvez desmotivados pelas filas da manhã. Abre às 09:00 e fecha às 19:00, tal como o CVC da Ajuda, todos os dias da semana. São os dois únicos a funcionar na capital. A câmara tem disponibilizado táxi grátis para quem não tem transporte, para o pedir deve-se ligar para o 21 8172021.

Luís, 76, e Helena Mena, 73, moram em Benfica, estão do lado das marcações para o reforço da vacina contra a covid-19. Têm transporte próprio, carro que deixaram no parque ao lado, com 200 lugares. Esperam do lado exterior, protegidos por uma pala mas em pé. Luís está para as 11:30 e Helena para as 12:20. "Espero não ter de esperar muito tempo, tendo dor ciática e não posso estar mais de 15 minutos em pé", reclama a mulher.


Maria Gracinda Santos, 70 anos, mora em Benfica e fez a primeira fase de vacinação na unidade do Estádio Universitário, esta quarta-feira teve de se deslocar para o Parque das Nações . "É mais longe, não sei a razão pela qual viemos para aqui, felizmente é feriado e não há muito trânsito. Aqui não correu mal, estive um bocadinho na fila, mas também tinha corrido bem nas outras duas vezes, estava muito bem organizado", conta, já depois de ter tomado a vacina. A vacinação estava marcada para 11:06, são 11:50 e acaba de ser inoculada.
Unificar procedimentos


Maria foi atendida do lado do Agrupamento dos Centros de Saúde (ACS) Lisboa Central, responsável pelos postos de vacinação do 31 ao 60. Os utentes passam primeiro pelos administrativos (20 secretárias) que registam os dados pessoais, o nome da vacina e o posto de atendimento. O enfermeiro só tem de administrar as doses e esperam algum tempo entre cada vacinação, mas o movimento é pouco.


"Pensei que fosse mais rápido, que existisse um maior movimento, mas é um primeiro dia e há sempre coisas a afinar", diz a enfermeira Carolina Gameiro, 22 anos, que trabalha num hospital e, agora, vai apoiar os centros de vacinação depois de o já ter feito em lares. São 12:00 e fez 20 a 30 inoculações.

O outro lado pertence à ACS Lisboa Norte (postos de 1 a 30) . São os enfermeiros que registam a vacina administrada, depois de um bombeiro indicar à pessoa o posto que está vago, como nas filas para pagamento dos supermercados. Aqui, são os utentes e não os enfermeiros que esperam, o movimento é grande. Ou então, é a rapidez com que Francisco Barreto, dos Bombeiros Sapadores de Lisboa, gere os espaços livres. Quer toda a gente preparada para levar o reforço. "Tem que ser para funcionar bem", justifica.


Guilherme Romana, médico de saúde pública responsável por aquela área, explica o funcionamento das duas valências e anuncia mudanças. "O nosso objetivo é uniformizar os procedimentos e ficar tudo a funcionar como ACS Lisboa Norte". A verdade é que, apesar da azáfama parecer distinta, os tempos de espera são muito idênticos nos dois lados.
Conta quem está do lado do ACS Lisboa Central. "Cheguei às 11:00, tinha marcação para as 11:35, sai do recobro às 12:18", diz Madalena Antunes, 79 anos. São 12:55 e espera o marido, ainda no recobro, o Manuel, de 87, que usou o regime "casa aberta". São de Marvila e dizem que as coisas foram rápidas como quando a vacinação era no Meo Arena. Fernando, o filho, levou-os como em tantas outras vezes que precisam de apoio.


Isabel Finuras, 75 anos, cabeleireira ainda em atividade, pertence à ACS Lisboa Norte: "Tinha marcação para as 11:40 e vim às 11:30, não vim muito cedo porque só atrapalha. Tomei a vacina às 12:30, está tudo ótimo". Mora em Campolide, tinha tomado a vacina contra a gripe no Estádio Universitário.

A maioria de quem espera já levou a vacina da gripe, tem mais de 65 anos e está no reforço contra a covid. Mas há quem ainda vá na primeira fase e esses não tem marcação, como Tânia Oliveira, 35 anos, que tem uma empresa de remodelações. Levou a primeira dose da vacina em julho e decidiu não levar a segunda. "Sinceramente, não sou muito a favor mas, com as novas regras, sinto-me obrigada", justifica.


O caso de Alisson Sales, 28 anos, é diferente. Trocou há dois meses o Brasil por Portugal, mora em Benfica. "Tentei algumas vezes através da "casa aberta", não tinha dado certo, deixei para hoje e deu certo".
ceuneves@dn.pt.

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