Maioria das mulheres inquiridas diz que não pode ausentar-se do trabalho para tratar de um problema de saúde sem uma justificação formal.
Maioria das mulheres inquiridas diz que não pode ausentar-se do trabalho para tratar de um problema de saúde sem uma justificação formal.Bartek Zakrzewski/Pixabay

Mulheres queixam-se de falta de flexibilidade laboral para gerir a saúde

Estudo do VOH CoLab e da CUF indica que obrigações familiares e laborais levam profissionais a adiar exames preventivos essenciais.
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Estudo "Saúde Preventiva nas Mulheres Ativas", desenvolvido pela associação privada sem fins lucrativos focada em Saúde (Value-Based Healthcare) VOH CoLab em colaboração com a CUF, revela que a sobrecarga familiar e os entraves logísticos no trabalho condicionam gravemente o autocuidado e a realização de exames preventivos das mulheres inseridas no mercado de trabalho em Portugal. As conclusões do trabalho, a que o DN teve acesso, vão ser apresentadas esta terça-feira, 30 de junho, no Museu de Serralves, no Porto, no âmbito do encontro "Precisamos mesmo de falar. Saúde Preventiva no Feminino".

Os dados estatísticos expõem que 58% das inquiridas acumulam a atividade profissional com o cuidado de dependentes, resultando em que 38% admita colocar a saúde dos outros à frente da sua. Ao nível profissional, embora 74% refiram ter flexibilidade para ir a consultas, apenas 26% usufruem de flexibilidade efetiva, ou seja, sem necessidade de apresentar justificação formal ou compensar as horas de ausência. Este cenário reflete-se no atraso de exames clínicos essenciais: mais de 70% das participantes nunca realizou uma colonoscopia ou pesquisa de sangue oculto nas fezes, e 86% nunca fez uma densitometria óssea.

A investigação baseia-se numa amostra de 2564 mulheres ativas que responderam voluntariamente a um questionário estruturado de perguntas fechadas. A recolha de dados realizou-se por via digital através da internet (técnica CAWI – Computer Assisted Web Interviewing), entre os dias 11 de dezembro de 2025 e 8 de janeiro de 2026. A amostra é constituída por colaboradoras de cinco empresas de referência nacional: MEO, Pestana, Jerónimo Martins, Hovione e CUF.

Para atenuar este cenário, a CUF e o VOH CoLab sugerem que as organizações assumam uma responsabilidade partilhada na saúde preventiva das suas colaboradoras. O relatório recomenda a implementação de medidas práticas no ambiente corporativo, tais como a concessão de maior flexibilidade real para consultas médicas, a dinamização de campanhas internas ativas de comunicação sobre rastreios clínicos e a introdução de programas de saúde integrados nas próprias empresas (in-company).

Ficha Técnica do Estudo:

Entidades Responsáveis: VOH CoLab (em colaboração com a CUF).

Universo: Mulheres ativas inseridas no mercado de trabalho.

Amostra: 2564 mulheres (participação voluntária) das seguintes empresas: Meo, Pestana, Jerónimo Martins, Hovione e CUF.

Metodologia: Investigação quantitativa, com recolha de dados através de questionário de perguntas fechadas.

Técnica de Recolha: CAWI (Computer Assisted Web Interviewing).

Período de Campo: 11 de dezembro de 2025 a 8 de janeiro de 2026.

Objetivo: Analisar as barreiras ao autocuidado, o impacto da carga de cuidado informal e os hábitos de rastreio clínico, com o objetivo de fornecer recomendações para o contexto corporativo.

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