Mulher aparece no seu funeral depois de marido a ter mandado matar

Marido pagou mais de quatro mil euros, mas os homens contratados não acreditavam em matar mulheres e conheciam o irmão da vítima

"Surpresa, estou viva!" Foi com esta frase que Noela Rukundo se apresentou no seu próprio funeral, deixando o marido em estado de choque. E não era para menos, pois Balenga Kalala não só pensava que a mulher tinha morrido, como tinha pago quase sete mil dólares australianos (cerca de 4500 euros) para que ela fosse morta.

Kalala estava tão incrédulo que até tocou no ombro de Rukundo para garantir que a mulher era bem real. "São os meus olhos? É um fantasma?", questionou Kalala, com as mãos na cabeça, segundo descreve Noela Rukundo à BBC. O marido ainda tentou pedir desculpa, mas a mulher chamou a polícia.

O insólito aconteceu há cerca de um ano e Kalala acabaria por confessar, tendo sido condenado a nove anos de prisão, no final de 2015, segundo o site australiano ABC.

Cinco dias antes de ter aparecido no seu funeral, Noela Rukundo deveria ter sido morta. O casal vivia em Melbourne na Austrália. Ela tinha deixado o Burundi e Kalala era um refugiado da República Democrática do Congo. Conheceram-se há 11 anos quando os serviços socials designaram Kalala para ajudar Rukundo que não falava inglês. Acabaram por se casar e tiveram três filhos. Rukundo já tinha cinco filhos de uma outra relação.

A mulher explicou que foi sabendo do passado do marido: tinha fugido dos rebeldes que atacaram a aldeia onde vivia, tendo assassinado a mulher e o filho. "Eu sabia que ele era um homem violento, mas não acreditava que ele podia matar-me", disse.

Noela Rukundo regressou ao Burundi para estar presente no funeral da sua madrasta. Estava num hotel na capital Bujumbura, quando ao final da tarde o marido ligou-lhe incentivando-a para não se deitar cedo, mas sair e "apanhar ar fresco". Rukundo assim o fez, mas quando saiu foi surpreendida por um homem armado. "Não grites. Se começares a gritar eu mato-te. Eles vão apanhar-me, mas tu? Tu já estarás morta", ameaçou o homem que a levou para um carro, onde foi vendada.

Já num edifício, amarrada a uma cadeira, Rukundo recorda que ouviu vozes. Alguém acabou por se dirigir a ela: "Mulher, o que fizeste para este homem pagar para nós te matarmos?". Sem perceber a quem se referiam, foi então confirmado que Balenga Kalala tinha pago para a mulher ser assassinada. Rukundo não acreditou, mas então ouviu um telefonema e reconheceu a voz do marido: "Matem-na." Rukundo desmaiou.

Apesar de terem recebido quase sete mil dólares australianos, os homens não mataram Rukundo, tendo-lhe explicado que não acreditavam em matar mulheres e porque conheciam o seu irmão. Deixaram-na numa estrada, dando-lhe um telemóvel e dinheiro.

Noela Rukundo pediu ajuda à embaixada da Bélgica e do Quénia e conseguiu regressar à Austrália. O marido já tinha anunciado a morte de Noela no acidente trágico e foi quando família e amigos estavam na casa do casal a confortar Kalala que Rukundo apareceu. Esperou no carro até que o marido se despediu das últimas pessoas para então o confrontar.

Com oito filhos e a receber ameaças da comunidade congolesa por ter denunciado o marido, Noela Rukundo salientou à BBC que continua a ouvir a voz de Kalala a mandar matá-la. No entanto, garante: "Vou reagir como uma mulher forte. A minha situação, o meu passado? Já passou. Vou começar uma vida nova."

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