Muitos passageiros, poucos comboios...

Muitos passageiros, poucos comboios...

Bastaram 30 segundos, enquanto o Diabo esfregou um olho, para uma senhora brasileira ser roubada, numa loja fina em pleno Chiado, uma autêntica fortuna: além das jóias, foram-se 200 contos de réis que quase davam para comprar um apartamento.
Publicado a
Atualizado a

A Linha de Sintra já era um bico de obra há 50 anos. Os problemas de então eram os mesmos de hoje: muitos passageiros, poucos comboios. A Linha era “insuficiente” - reconhecia ao DN o administrador e diretor do setor de Produção e Equipamento da CP, Augusto Fernandes.

As razões da insuficiência até eram excelentes. Era a prova de que o país crescia a olhos vistos . Os diversos problemas que afetavam a Linha de Sintra deviam-se ao “crescimento explosivo da urbanização em toda a sua zona com particular incidência entre o Rossio e Queluz”, dizia com orgulho o administrador da CP. Agora, era preciso que a linha andasse a par da demografia...

Tinha, de resto, os números na ponta da língua. No ano anterior, 1973, utilizaram a linha de Sintra 45 milhões de passageiros - um crescimento anual da ordem dos 11,5 por cento, uma vez que em 1971 e 1972 viajaram, respetivamente, 36 e 40 milhões de passageiros.

Doze mil pessoas, segundo o administrador da CP, chegavam nos dias de trabalho ao Rossio entre as 08h05 e as 08h45 - tráfego que tendia a aumentar: um incremento de 40 por cento até aos anos 79/80 nas horas de ponta e de 125 por cento lá para o longínquo ano 2000.

A CP, perante o futuro que aí vinha, empurrada pelo ímpeto desenvolvimentista do Governo chefiado por Marcello Caetano - que ao contrário do antecessor Salazar chamou jovens tecnocratas - propunha-se lançar mãos à obra e anunciava de uma vez um extenso rol de melhoramentos - entre eles: ampliação e aumento da capacidade da estação do Rossio e a construção de uma via quádrupla entre as estações da Cruz da Pedra e a de Queluz. 

Mas a melhor medida de todas que o administrador tinha na manga toda a gente a entendia muito bem: “Mais comboios e mais compridos” para que ninguém ficasse nas estações a ver comboios... 

Ponte Salazar

O avanço dos comboios não se ficava pela concorrida Linha de Sintra. O administrador da CP prometia o lançamento de novas linhas férreas na Margem Sul - e prometia para breve o atravessamento ferroviária da Ponte Salazar, que fora inaugurada pelo próprio em 6 de agosto de 1966.

Diário de Notícias
www.dn.pt