Mário Lino diz que foi ideia sua e não de Sócrates antecipar concurso do TGV
O antigo ministro Mário Lino contradisse esta quinta-feira, 17 de setembro, a tese do Ministério Público, assegurando que foi ideia do próprio e não do então primeiro-ministro José Sócrates antecipar em 2008 o concurso da linha de alta velocidade (TGV).
"A iniciativa de antecipar o concurso é minha, não é de um secretário de Estado nem de ninguém. Enfim, é um estilo de atuação, não gosto muito de falhar as coisas. As coisas que é para fazer devem ser feitas, com rigor. Não é para empatar", afirmou em tribunal o antigo ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, durante o julgamento do processo Operação Marquês.
Mário Lino garantiu ainda que Sócrates discordou dessa intenção, que implicaria avançar com o concurso antes de existir uma Declaração de Impacto Ambiental, por considerar que "não seria relevante" ganhar "dois ou três meses".
Tese diferente tinha apresentado o Ministério Público na acusação, alegando que havia sido o líder do Governo, em 2008, a manifestar intenção de antecipar o concurso com o objetivo de favorecer ilegitimamente o grupo Lena, que integrava o consórcio que acabaria por ganhar o concurso para a construção do troço Poceirão-Caia, que em 2012 viria a ser chumbado pelo Tribunal de Contas.
Lino recorda que Sócrates não queria, sobretudo, "problemas com o Tribunal de Contas", e que foi também o próprio a sugerir a realização de uma reunião de ambos com o presidente do júri do concurso, Raul Vilaça Moura.
O antigo ministro classificou como diplomacia económica os contactos desenvolvidos pelo Governo para que o grupo Lena ganhasse o concurso para a construção de milhares de habitações sociais na Venezuela, rejeitando existir qualquer tratamento preferencial.
José Sócrates está acusado, entre outros, de três crimes de corrupção, alegadamente por ter recebido dinheiro para beneficiar o grupo Lena, o Grupo Espírito Santo e o resort algarvio de Vale do Lobo.
Do processo fazem parte 21 arguidos, que têm negado a prática dos 117 crimes económico-financeiros que lhes são imputados e que remontam ao período entre 2005 e 2014.
O julgamento decorre desde 3 de julho do ano passado, no Tribunal Central Criminal de Lisboa

