Cerca de vinte estudantes do movimento Voz aos Estudantes concentraram-se à porta da sede do Ministério da Educação para protestar a situação nos exames nacionais, cerca de duas horas depois do fim da conferência de imprensa do ministro da Educação, Fernando Alexandre.Empunhando cartazes com mensagens como “suspenso devia ser o ministro, não as nossas notas”, os alunos entoaram frases como “estudantes unidos, jamais serão vencidos” e a “escola pública é um direito, sem ela nada feito”.Ao microfone, Daniel da Silva, aluno do 12.º ano e presidente da Associação de Estudantes da Escola Secundária Anselmo de Andrade, em Almada, “Há estudantes que receberam notas erradas, há estudantes que continuam sem resposta e há jovens que veem o seu futuro de acesso ao ensino superior colocado em causa por erros que não cometeram”, protestou Daniel, que representou a associação a falar aos jornalistas.Para o estudante, que também terminou os exames do ensino secundário este ano, esta altura de nenhum sossego, culpando “o caos que foi a avaliação dos exames”.Questionado sobre porque é que estavam poucas dezenas de alunos concentrados por baixo do viaduto da Avenida Infante Santo, o aluno comentou que “os outros infelizmente ou ficaram a estudar ou estão presos nas filas das secretarias”.“Todos os outros estão lá presos, queriam vir cá, queriam estar cá junto de nós, tiveram essa incapacidade”, alegou o aluno que defendeu haver “muitos mais pedidos [este ano] do que o ano passado de reapreciação”.Já Helena Caetano, aluna do 11.º ano e presidente da Associação de Estudantes da Escola Secundária Michel Giacometti, lamentou a situação que ocorre com os exames mas critica a falta de investimento do governo"Tenho colegas meus que veem o seu futuro em suspenso, que pedem a consulta das suas provas e deparam-se com correções mal feitas", queixou-se Helena, sublinhando que isto é "fruto daquilo que foi o tempo que os professores corretores tiveram para efetivamente classificar e dar as notas"."Perante isto, os estudantes reúnem-se aqui hoje e reunir-se-ão, muitas mais vezes, as que forem precisas, porque nós não aceitamos que brinquem com o nosso futuro, que brinquem com as nossas vidas, que brinquem com a nossa entrada para a faculdade", disse ainda.