Exclusivo Moscas da fruta ajudam a perceber os efeitos de compostos tóxicos na disfunção motora

Ensaio da NOVA Medical School substituiu os tradicionais ratinhos por moscas para avaliar alterações no movimento. O uso destes animais apresenta vantagens ao nível da ética, do preço e do detalhe e rapidez dos resultados.

Um ensaio sobre disfunção motora causada por agentes neurotóxicos, da responsabilidade duma equipa de investigadores da NOVA Medical School, veio comprovar a eficácia das moscas da fruta como sujeitos de experimentação animal. César Mendes, investigador que trabalha no estudo do movimento, faz a apologia dos insetos, porque "cerca de dois terços dos genes que estão envolvidos em doenças em humanos estão presentes na mosca da fruta". Que apresenta várias vantagens comparando com os tradicionais ratinhos usados em laboratório.

"A mosca da fruta é um sistema genético por excelência. É fácil manipular o seu genoma e os seus neurónios. Em vez de estarmos a investir tanto tempo e tanto dinheiro em ratinhos, e há diretivas europeias no sentido de diminuir o uso por questões éticas, porque é que não simplificamos as coisas e usamos sistemas como a mosca da fruta? O ciclo de vida da mosca é de 11 dias, ao passo que o do rato é de um mês, e mesmo assim só o desenvolvimento embrionário. A mosca da fruta, oito horas depois de nascer, já está sexualmente ativa, já está a reproduzir-se, o que para nós, em laboratório, é muito útil. Quando queremos fazer cruzamentos e amplificar as moscas, e pôr uma mosca com um gene ou outro, os resultados são mais rápidos e mais baratos. Manter ratos é extremamente caro", explica ao DN ao investigador.

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