Sete dos 23 desfiles da ModaLisboa abertos à população

Sete dos 23 desfiles da 49.ª edição da ModaLisboa, que decorre de 05 a 08 de outubro, e durante a qual serão apresentadas as coleções para a primavera-verão 2018, serão abertos à população, anunciou a organização.

Em edições anteriores já houve desfiles abertos à população, mas é a primeira vez que representam cerca de um terço do calendário. Dos 23 desfiles, 15 decorrerão dentro de portas, no renovado Pavilhão Carlos Lopes, no Parque Eduardo VII, onde a iniciativa se realiza pela primeira vez, e sete no Jardim que circunda o espaço.

O jardim acolhe no dia 06 os desfiles das coleções de Patrick de Pádua e de Duarte, no dia 07 de Imauve + Carolina Machado, de David Ferreira e do coletivo Awaytomars, e no dia 08 da Morecco, de Nair Xavier com Diniz&Cruz e da Eureka.

O protocolo de cooperação entre a Câmara Municipal de Lisboa e a Associação ModaLisboa, aprovado em janeiro de 2016 e que prevê a realização de seis edições (duas em 2016, duas em 2017 e duas em 2018), prevê agora que a associação promova "ações que garantam o acesso dos vários públicos a este evento e a outras iniciativas da ModaLisboa".

O protocolo estabelece que, além de um financiamento, o município se comprometa a ceder gratuitamente o local para a realização da ModaLisboa e a apoiar a produção da iniciativa.

Na edição de março, na qual foram apresentadas as coleções para o inverno de 2018/19, o financiamento da autarquia foi, excecionalmente, de 377.500 euros. Aos 317.500 euros que tinham sido atribuídos nas últimas edições, a Câmara aprovou em fevereiro deste ano a transferência, "a título excecional e apenas no âmbito da 48.ª edição", de 60 mil euros para o projeto Global Fashion Exchange Lisboa.

Na 49.ª edição da ModaLisboa, que decorre sob o tema "Luz", serão ainda apresentadas as propostas para a primavera-verão do próximo ano dos participantes do concurso Sangue Novo, de Kolovrat, de Valentim Quaresma, de Ricardo Preto (dia 06), de Nuno Gama, de Aleksadr Protic, da marca brasileira Cia.Marítima, de Ricardo Andrez, do francês Christophe Sauvat, de Dino Alves (dia 07), de Olga Noronha, da angolana Nadir Tati, de Luís Carvalho, da Mustra e de Filipe Faísca (dia 08).

No dia 05 de outubro decorrem, na Estufa Fria, as 'Fast Talks' (conversas rápidas sobre moda), de entrada livre.

Exclusivos

Premium

Primeiro-secretário da Área Metropolitana de Lisboa

Carlos Humberto: "Era preciso uma medida disruptiva que trouxesse mais gente ao transporte coletivo"

O novo passe Navegante abriu aos cidadãos da Área Metropolitana de Lisboa a porta de todos os transportes públicos, revolucionando o sistema de utilização dos mesmos. A medida é aplaudida por todos, mas os operadores não estavam preparados para a revolução e agudizaram-se problemas antigos: sobrelotação, tempos de espera, supressão de serviços, degradação de equipamentos.

Premium

Viriato Soromenho Marques

Berlim, junto aos Himalaias

Há 30 anos exatos, Berlim deixou de ser uma ilha. Vou hoje contar uma história pessoal desse tempo muralhado e insular, num dos mais estimulantes períodos da minha vida. A primeira cena decorre em dezembro de 1972, no Sanatório das Penhas da Saúde, já em decadência. Com 15 anos acabados de fazer, integro um grupo de jovens que vão treinar na neve abundante da serra da Estrela o que aprenderam na teoria sobre escalada na neve e no gelo. A narrativa de um alpinista alemão, dos anos 1920 e 1930, sobre a dureza das altas montanhas, que tirou a vida a muitos dos seus companheiros, causou-me uma forte impressão. A segunda cena decorre em abril de 1988, nos primeiros dias da minha estada em Berlim, no árduo processo de elaboração de uma tese de doutoramento sobre Kant. Tenho o acesso às bibliotecas da Universidade Livre e um quarto alugado numa zona central, na Motzstrasse. Uma rua parcialmente poupada pela Segunda Guerra Mundial, e onde foram filmadas em 1931 algumas das cenas do filme Emílio e os Detectives, baseado no livro de Erich Kästner (1899-1974).Quase ao lado da "minha" casa, viveu Rudolf Steiner (1861-1925), fundador da antroposofia. Foi o meu amigo, filósofo e ecologista, Frieder Otto Wolf, quem me recomendou à família que me acolhe. A concentração no estudo obriga a levantar-me cedo e a voltar tarde a casa. Contudo, no primeiro fim de semana almoço com os meus anfitriões. Os dois adolescentes da família, o Boris e o Philipp, perguntam-me sobre Portugal. Falo no mar, nas praias, e nas montanhas. Arrábida, Sintra, Estrela... O Philipp, distraidamente, diz-me que o seu avô também gostava de montanhas. Cinco minutos depois, chego à conclusão de que estou na casa da filha e dos netos de Paul Bauer (1896-1990), o autor dos textos que me impressionaram em 1972. Eles ficam surpreendidos por eu saber da sua existência. E eu admirado por ele ainda se encontrar vivo. Paul Bauer foi, provavelmente, o maior alpinista alemão de todos os tempos, e um dos pioneiros das grandes montanhas dos Himalaias acima dos 8000 metros. Contudo, não teria êxito em nenhuma das duas grandes montanhas a que almejou. As expedições que chefiou, em 1929 e 1931, ao pico de 8568 metros do Kanchenjunga (hoje, na fronteira entre a Índia e o Nepal) terminaram em perdas humanas. Do mesmo modo, o Nanga Parbat, com os seus 8112 m, seria objeto de várias expedições germânicas marcadas pela tragédia. Dez mortos na expedição chefiada por Willy Merkl, em 1934, e 16 mortos numa avalancha, na primeira expedição comandada por Paul Bauer a essa montanha paquistanesa em 1937. A valentia dos alpinistas alemães não poderia substituir a tecnologia de apoio à escalada que só os anos 50 trariam. Bauer simboliza, à sua maneira, esse culto germânico da vontade, que tanto pode ser admirável, como já foi terrível para a Alemanha, a Europa e o mundo. Este meu longo encontro e convívio com a família de Paul Bauer, roça o inverosímil. Mas a realidade gosta de troçar do cálculo das probabilidades.