Ministra anuncia aumento de valor pago por ecografias e aprova criação de 20 USF geridas pelos setores social e privado
ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Ministra anuncia aumento de valor pago por ecografias e aprova criação de 20 USF geridas pelos setores social e privado

Estado vai pagar mais 55 a 80 euros a privados por cada ecografia obstétrica, para que voltem às convenções do SNS. Novas USF serão abertas em Lisboa e Vale do Tejo (10), Leiria (5) e Algarve (5).
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A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, revelou esta quarta-feira que o Governo aprovará esta quinta-feira, em Conselho de Ministros, um decreto-lei que instituiu as Unidades de Saúde Familiar (USF) modelo C. “Sempre estiveram previstas no estatuto do SNS, mas nunca foram implementadas”, salientou a governante, que acrescentou que serão abertas 10 unidades em Lisboa e Vale do Tejo, cinco em Leiria e cinco no Algarve.

A responsável pela Saúde em Portugal anunciou também que o valor pago aos privados por cada ecografia obstétrica será aumentando de forma a voltarem às convenções do SNS. “Acabámos de assinar um despacho que pretende atualizar o preço das ecografias obstétricas que devido a valores muito baixos estavam a deixar de ter convenções do SNS. Nos últimos meses já não estava muitas vezes a ser possível encaminhar as grávidas para fazer as suas ecografias. Aumentámos a ecografia obstétrica do primeiro trimestre para 70 euros, mais 55,50 euros. A do segundo trimestre foi aumentada em 81 euros, passando agora a ser paga a 120 euros. A do terceiro trimestre passa agora a ter um valor de 70 euros, um aumento de 50,50 euros”, anunciou.

A ministra fez ainda um balanço do plano de emergência e transformação do Governo para a saúde, dando conta de 25 800 cirurgias a doentes com cancro realizadas este ano, um crescimento de 15,8% em relação ao ano passado.

Ana Paula Martins considerou um “sucesso” o programa SNS Grávida, revelando que 28,6% das grávidas não foram às urgências, mas lamenta o elevado “número de bebés nascidos em ambulâncias”

“Encontrámos um SNS que não conseguia dar resposta a muitos cidadãos. Doentes com cancro há demasiado tempo à espera, grávidas de urgência em urgência para ter os seus bebés, doentes não urgentes horas e horas à espera. Conseguimos resolver tudo há três meses? Não. Mas também não prometemos isso”, vincou.

Ana Paula Martins explicou ainda que o Governo está a “expandir o atendimento nos cuidados de saúde primários”, mas salientou que a “saúde próxima e familiar é das mais difíceis”.

A ministra da Saúde alertou que as unidades locais de saúde têm de garantir uma gestão eficaz dos recursos humanos, alegando que "não pode acontecer" o encerramento de urgências de obstetrícia como no último domingo.

"As unidades locais de saúde têm de garantir a sua missão de serviço público e uma gestão eficaz dos seus recursos humanos", referiu a ministra da Saúde em conferência de imprensa para balanço do Programa de Emergência e Transformação da Saúde.

Ana Paula Martins adiantou ainda que, apesar de ter sido assegurado que as maternidades de Lisboa e Vale do Tejo e do Algarve funcionassem em rede, no último domingo 17 urgências estiveram de "portas fechadas".

"Isso não pode acontecer", salientou a governante, ao manifestar-se também preocupada com o "número de bebés nascidos em ambulâncias".

"No próximo verão, essa situação não deve acontecer", avançou Ana Paula Martins, ao considerar que "haverá sempre bebés a nascer em ambulâncias", mas serão "apenas em casos excecionais".

O Ministério da Saúde apresentou esta quarta-feira o balanço das 15 medidas urgentes que constam do Plano de Emergência e Transformação da Saúde aprovado em Conselho de Ministros, em 29 de maio.

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