Bárbara/Carrilho: MP diz que há "motivo sério e grave" para desconfiar de juíza

Imparcialidade de magistrada que julga o processo de violência doméstica de Manuel Maria Carrilho sobre Bárbara Guimarães posta em causa

O Ministério Público entregou esta quarta-feira um requerimento de recusa da juíza que julga o caso de violência doméstica entre Manuel Maria Carrilho e Bárbara Guimarães. "Fê-lo por considerar existir motivo sério e grave, adequado a gerar desconfiança sobre a imparcialidade da magistrada judicial", segundo comunicado enviado ao DN por fonte oficial da Procuradoria-Geral da República.

A confirmação do incidente de recusa por parte do Ministério Público surge após se saber que Bárbara Guimarães entregará, amanhã, um requerimento no mesmo sentido. Ao que o DN apurou, o pedido fundamenta-se na "suspeita de imparcialidade objetiva e subjetiva" consubstanciada em declarações da magistrada durante a primeira audiência do julgamento, que teve lugar sexta-feira passada, 12 de fevereiro.

As dúvidas sobre a imparcialidade da magistrada Joana Ferrer foram levantadas na segunda-feira por várias associações de defesa dos direitos das mulheres.

"Confesso que estive a ver fotografias do vosso casamento e tudo parecia maravilhoso. Parece que o Professor Carrilho foi um homem, até ao nascimento da Carlota [a segunda filha do casal], e depois passou a ser um monstro. Ora o ser humano não muda assim"; "Causa-me alguma impressão a atitude de algumas mulheres vítimas de violência, algumas das quais acabam mortas. A senhora procuradora diz que não tem que se sentir censurada. Pois eu censuro-a! É que se tinha fundamento para se queixar, devia tê-lo feito"; "Mas nunca pensou ir ao hospital?" (Resposta de Bárbara Guimarães: "Não, tive vergonha.") "Com tanta divulgação, tanto apoio que se criou para a violência doméstica? Tenha paciência, esse argumento é fraquinho"; "Ó Bárbara, causa-me nervoso ver mulheres informadas a reagirem assim. Se tinha fundamento, devia ter feito queixa." Foram estas as frases reproduzidas nos media que levaram as associações a reagir.

(Notícia atualizada)

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