Militares da GNR acusados de perdoar multas podem regressar ao serviço

Além dos militares da GNR, também três civis respondem em tribunal acusados de aceitarem a proposta de suborno apresentada pelos três guardas

Três militares da Guarda Nacional Republicana (GNR) de Torres Vedras acusados de perdoarem multas a automobilistas a troco dinheiro e que começaram esta segunda-feira a ser julgados podem decidir se regressam ao serviço a partir de terça-feira.

Os três militares, dois cabos e um guarda da GNR, foram suspensos de funções por estarem indiciados por crimes de corrupção passiva, alegadamente ocorridos entre maio e novembro de 2013.

Contudo, no início do julgamento, que arrancou na tarde desta segunda-feira no tribunal da Comarca de Lisboa Norte, em Loures, o presidente do coletivo de juízes comunicou aos três arguidos que o prazo para a determinação da suspensão de funções vai esgotar-se no final do dia desta segunda-feira.

No final da sessão, em declarações à agência Lusa, um dos advogados de defesa (que representa um civil também acusado) explicou que a partir de terça-feira os três militares poderão regressar ao serviço, "caso essa seja a sua vontade".

De acordo com o despacho de acusação, a que a Lusa teve acesso, "por diversas vezes os militares abordaram condutores que incorreram em infrações rodoviárias e, em troca de quantias monetárias ou de outras vantagens patrimoniais em género, como carne ou peixe, que solicitaram, não elaboraram ou prometeram não elaborar os respetivos autos de contraordenação".

O despacho refere ainda que a abordagem aos condutores era feita no local e posteriormente via contacto telefónico.

Além dos militares da GNR, respondem em tribunal três civis acusados de corrupção ativa, por aceitarem a proposta de suborno apresentada pelos três guardas.

Todos os arguidos se escusaram a prestar declarações na primeira sessão de julgamento.

A próxima sessão está marcada para o dia 24 de outubro, às 14:00.

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