Mau tempo. Cerca de 450 mil clientes continuam sem eletricidade. Só no distrito de Leiria são 300 mil

Passagem da depressão Kristin deixou um rasto de destruição, causou cinco mortos e vários desalojados. Leiria, Nazaré, Ferreira do Zêzere e Figueiró dos Vinhos pedem estado de calamidade.
Mau tempo. Cerca de 450 mil clientes continuam sem eletricidade. Só no distrito de Leiria são 300 mil
Foto: Reinaldo Rodrigues

Lousã alerta para subida rápida da água em rios e ribeiras

A Câmara Municipal da Lousã alertou hoje para uma subida rápida0 do volume de água em rios e ribeiras do concelho, devido ao mau tempo, e apelou à adoção de medidas preventivas.

Numa publicação nas redes sociais, a autarquia avisou que está prevista “uma subida rápida dos caudais dos cursos de água no concelho (nomeadamente rios e ribeiras)”.

Entre as medidas preventivas recomendadas pela Câmara da Lousã, no distrito de Coimbra, e pelo Serviço Municipal de Proteção Civil, está a necessidade de se evitar a permanência ou circulação junto a rios, ribeiras e zonas inundáveis; não atravessar linhas de água, a pé ou de viatura, ou redobrar cuidados em deslocações, sobretudo em vias próximas de cursos de água.

Destaque ainda para a adoção “de medidas preventivas para a proteção de pessoas e bens, assegurando a salvaguarda de viaturas, equipamentos e outros bens em zonas suscetíveis a inundações” e “garantir a desobstrução de sistemas de drenagem junto a habitações”.

A mesma fonte acrescentou que as equipas municipais e os agentes de Proteção Civil mantêm-se em permanente acompanhamento da situação, atuando sempre que necessário.

Lusa

Ponto de situação da rede ferroviária

A circulação em vários troços das Linhas do Norte, da Beira Baixa, do Oeste e no Ramal de Alfarelos, em Coimbra, estava hoje às 09:00 suspensa devido a problemas causados pelo mau tempo, segundo a Infraestruturas de Portugal (IP).

Em comunicado, a IP informa que está suspensa a circulação de comboios na Linha do Norte entre Fátima e Alfarelos, na Linha da Beira Baixa entre Ródão e Castelo Novo (Castelo Branco) e na Linha do Oeste entre Mafra e Amieira e entre Louriçal e Figueira da Foz.

Está igualmente suspensa a circulação no Ramal de Alfarelos entre Alfarelos e a Figueira da Foz.

O Ramal de Alfarelos une as estações de Alfarelos, na Linha do Norte, e a Bifurcação de Lares, na Linha do Oeste.

“Estas ocorrências estão a afetar a normal exploração ferroviária em vários troços, exigindo intervenções técnicas das equipas no terreno para a reposição das condições de segurança e da regularidade do serviço”, refere ainda a IP.

Falta de energia elétrica mantém cinco escolas fechadas em Castelo Branco

Cinco escolas do concelho de Castelo Branco continuam hoje encerradas por falta de condições de funcionamento, nomeadamente falta de energia elétrica, informou a Câmara Municipal.

Os estabelecimentos de ensino e jardins de infância em Sarzedas, Cebolais de Cima e Retaxo, Alcains, Malpica do Tejo e Salgueiro do Campo encontram-se fechados.

A autarquia explicou que, em relação ao estabelecimento escolar de Salgueiro do Campo, irá ainda avaliar a situação durante a manhã de hoje.

“A situação está a ser acompanhada de perto, em articulação com as entidades responsáveis, estando a reabertura dependente da reposição dos serviços de eletricidade e comunicações”.

O município salientou ainda que as equipas municipais, em colaboração com as direções escolares e restantes entidades competentes, “procederam às verificações das infraestruturas, acessos e condições de funcionamento, confirmando a possibilidade do regresso das atividades letivas”.

Apesar da aparente normalização da situação, a Câmara de Castelo Branco recomenda a adoção de comportamentos preventivos, nomeadamente atenção a eventuais ocorrências relacionadas com as condições meteorológicas recentes.

Mira desativa Plano Municipal de Emergência e Proteção Civil

O município de Mira, no distrito de Coimbra, desativou o Plano Municipal de Emergência e Proteção Civil.

Numa publicação nas redes sociais, a Câmara Municipal afirmou que, “na sequência da avaliação das ocorrências resultantes da passagem da tempestade Kristin pelo território, verificou-se que estão reunidas as condições para a reposição da normalidade”.

A autarquia diz, no entanto, que se mantém o alerta à população para que "continue vigilante e atenta às comunicações e indicações da Proteção Civil, adotando, sempre que necessário, os comportamentos adequados”.

DN/Lusa

Escolas do concelho da Sertã fechadas por questões de segurança

As escolas do concelho da Sertã, no distrito de Castelo Branco, continuam hoje fechadas por questões de segurança.

A autarquia explicou ainda que, apesar da normalidade se estar a restabelecer, por questões de segurança todos os estabelecimentos de ensino do concelho estarão encerrados durante o dia de hoje.

A Câmara salientou que há ainda algumas ocorrências que carecem de resolução devido à sua complexidade.

“Apesar de neste momento não existir nenhuma via de comunicação principal interdita ou condicionada (EN2 e IC8), adverte-se para a existência de estradas e caminhos municipais condicionados, assim como arruamentos de acessos a algumas localidades, pelo que o município da Sertã apela à máxima precaução durante a circulação nas estradas”.

A Câmara da Sertã informou também que, até ao momento, não se registaram vítimas nem feridos e deixou um apelo à calma e serenidade da população até à reposição da normalidade.

“A energia elétrica e as telecomunicações estão a ser repostas gradualmente por todo o concelho”.

DN/Lusa

“Estamos completamente desesperados". Presidente da Câmara de Figueiró dos Vinhos pede "socorro"

O presidente da Câmara de Figueiró dos Vinhos, no distrito de Leiria, pediu esta quinta-feira socorro e a declaração de calamidade, e alertou que o concelho, devido ao mau tempo, está “a viver um dos piores momentos da sua história”.

“Estou a ligar do telefone satélite dos bombeiros porque, efetivamente, não temos comunicações. Nenhuma rede móvel funciona nesta terra, neste concelho. Nós não temos possibilidade nenhuma de falar com o exterior e estamos neste momento a pedir socorro”, afirmou à Lusa Carlos Lopes.

Carlos Lopes disse esperar que este pedido de socorro “possa chegar a todos aqueles que têm responsabilidades neste país, na área da Proteção Civil e na área da segurança das pessoas”.

Estamos, neste momento, completamente desesperados e não sabemos o que é que podemos fazer”, adiantou.

Segundo o autarca, o concelho tem “um rasto de destruição por todo o território”.

O concelho “não tem comunicações, não tem energia”, tem, neste momento, “água nas freguesias para mais cerca de 12 horas” e “grandes dificuldades em termos daquilo que é a manutenção dos lares” de idosos, alertou.

“Estamos completamente isolados. Figueiró dos Vinhos considera-se completamente isolado do resto do distrito, da região e do país”, declarou o presidente do município, apelando para que o Governo “olhe para este território e também consiga, de alguma forma, equacionar a possibilidade de decretar o estado de calamidade”.

A destruição inclui infraestruturas municipais, sinalização, muros e derrocadas, com os serviços a tentarem resolver onde conseguem chegar.

Referindo que em todas as povoações do concelho há “centenas de coberturas de habitações destruídas”, o autarca explicou que há pessoas que terão, provavelmente de ser realojadas, “porque já não há condições para as manter” nas suas casas, pois muitas “estão a céu aberto”.

“Precisamos muito da solidariedade do Governo, precisamos muito da solidariedade das entidades públicas, precisamos muito de dar uma resposta a uma população que está a viver, em poucos anos, a segunda maior tragédia das últimas décadas”, salientou, numa alusão aos incêndios de Pedrógão Grande, em junho de 2017, que também atingiu, entre outros, o concelho de Figueiró dos Vinhos.

Lusa

Câmara de Pedrógão Grande apela ao uso racionado de água

 Câmara de Pedrógão Grande, que já ativou o Plano Municipal de Emergência de Proteção Civil, apelou esta quinta-feira ao uso responsável e racionado da água, na sequência da passagem da depressão Kristin.

Sem energia elétrica desde a madrugada de quarta-feira, o município de Pedrógão Grande tem estado igualmente sem comunicações móveis.

Numa nota nas redes sociais publicada hoje às 08h00, esta Câmara do distrito de Leiria lembrou que, “tendo em conta a falha da rede elétrica, poderão ocorrer constrangimentos no abastecimento público de água, situação que será restabelecida com a maior brevidade possível”.

Nesse sentido, apelou a que não haja consumos excessivos.

“As principais vias encontram-se desobstruídas, nomeadamente IC8, EN2, EN350, ER236, EN236-1 e CM1160, ainda que com limitações e presença de obstáculos em vários locais. As restantes vias secundárias ainda apresentam constrangimentos, encontrando-se as equipas no terreno a proceder às intervenções necessárias”.

A Câmara disse ainda que, “não sendo possível garantir, neste momento, condições de segurança, e desconhecendo-se quando o fornecimento de energia será totalmente restabelecido, as escolas do concelho manter-se-ão encerradas durante o dia de hoje”.

“Informa-se a população que a recolha de resíduos urbanos, tanto indiferenciados como dos ecopontos, se encontra atualmente com constrangimentos, em resultado da tempestade. Apela-se à colaboração de todos para que não sejam depositados resíduos fora dos contentores, de forma a evitar riscos para a saúde pública e facilitar o trabalho das equipas no terreno”, refere também.

Lusa

Cerca de 450 mil clientes continuam sem eletricidade pelas 08h00. Só no distrito de Leiria são 300 mil os afetados

Cerca de 450 mil clientes da E-Redes em Portugal continental estavam às 08:00 desta quinta-feira, 29 de janeiro, sem eletricidade, com o distrito de Leiria a concentrar a maior parte das situações, segundo a empresa.

“O distrito de Leiria sofre o maior impacto com 300 mil clientes afetados. No resto do território continental a incidência regista-se nos distritos de Santarém, Coimbra e Castelo Branco”, de acordo com a empresa, numa informação enviada à Lusa.

A E-Redes lembra que “a rede elétrica foi bastante impactada pelas condições meteorológicas adversas provocadas pela depressão Kristin na quarta-feira, causando vários danos na infraestrutura física de distribuição de eletricidade”, chegando a estar um milhão de clientes sem energia.

“Neste momento [cerca das 08h00] estão cerca de 450 mil clientes sem energia”, refere a E-Redes que sublinha que “na zona de Leiria a rede foi muito afetada, tendo havido a queda de postes e linhas de alta tensão, que demoram mais tempo a reparar, e que limitam o restabelecimento do abastecimento na média e baixa tensão”.

A empresa justifica ainda que “as condições meteorológicas mantêm-se adversas, o que motiva o aparecimento de avarias em outras zonas do país para além de Leiria”

“A E-Redes tem equipas operacionais a trabalhar em contínuo no terreno, estando a haver um reforço de pessoas e equipamentos na zona Centro do país, vindos de outras áreas, continuando cerca de 1200 operacionais no terreno”, termina.

Lusa

Ferreira do Zêzere pede ao Governo que decrete estado de calamidade

A Câmara de Ferreira do Zêzere vai pedir ao Governo que decrete o estado de calamidade no concelho, na sequência dos prejuízos provocados pela passagem da depressão Kristin, o terceiro município a fazê-lo, depois de Leiria e Nazaré.

Em comunicado, a autarquia diz que a dimensão e gravidade dos danos ultrapassam a capacidade de resposta normal do município e considera indispensável a ativação de “mecanismos extraordinários de apoio”.

O concelho de Ferreira do Zêzere, no distrito de Santarém, está desde a manhã de quarta-feira sem eletricidade e redes de comunicação devido à destruição de infraestruturas essenciais, incluindo antenas de telecomunicações e centenas de postes de eletricidade de baixa, média e alta tensão, e não tem ainda perspetivas de resolução.

A passagem da depressão provocou a queda de milhares de árvores em todo o concelho, principal causa da obstrução generalizada das vias principais, secundárias, caminhos municipais e acessos a habitações isoladas, comprometendo a mobilidade e exigindo “esforços imensuráveis” para acesso a populações vulneráveis e para a necessária prestação de apoio, refere a nota.

A Câmara lembra igualmente que as fortes rajadas de vento destelharam total ou parcialmente coberturas de habitações, comprometendo os bens das famílias.

Para sustentar a necessidade de declarar o estado de calamidade no concelho, a autarquia recorda igualmente que se trata de um território de interior, de extensão significativa, caracterizado por baixa densidade demográfica e consequente dispersão da população pelo território.

Estimam ainda prejuízos globais de “vários milhões de euros”, resultantes de danos em vias públicas, sinalização, infraestruturas municipais, indústrias, pequenas e médias empresas, habitações particulares e nas atividades florestais e agrícolas.

Na nota, a câmara de Ferreira do Zêzere apela igualmente à colaboração da população, assegurando que continuará a informar os munícipes de forma regular e transparente, mantendo como prioridade a segurança das pessoas, a proteção dos bens e a recuperação do concelho.

Informa ainda que está em curso uma “resposta operacional alargada”, envolvendo serviços municipais, agentes de proteção civil e meios externos, e sublinha que a comunidade local “tem respondido com grande solidariedade, sinalizando situações críticas e apoiando vizinhos”.

Segundo a autarquia, técnicos municipais e equipas sociais estão a acompanhar todas as situações identificadas, tendo sido encontradas soluções para todas as emergências sinalizadas até ao momento.

Ferreira do Zêzere é o terceiro município a pedir ao Governo que decrete a situação de calamidade. Em Leiria, por onde a depressão entrou no território continental, o presidente da autarquia fez o mesmo pedido na quarta-feira, seguido do município da Nazaré.

Lusa

Noite mais calma. Proteção civil registou 192 ocorrências entre as 00h00 e as 08h00

A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) registou 190 ocorrências, entre as 00h00 e as 08h00 relacionadas com o mau tempo, a maioria na região de Coimbra e Leiria, disse à Lusa José Miranda.

“Entre as 00h00 e as 08h00 foram registadas 192 ocorrências, 79 das quais quedas de árvores, 62 inundações de via e 28 quedas de estruturas”, adiantou José Miranda, da ANEPC, acrescentando que esta noite, comparativamente ao dia de quarta-feira, foi mais calma.

Lusa

Escolas de vários concelhos da região de Leiria continuam fechadas

As escolas dos concelhos de Ansião, Marinha Grande, Pedrógão Grande e Pombal continuam esta quinta-feira fechadas devido ao mau tempo, de acordo com informação das respetivas Câmaras nas redes sociais.

“Não havendo previsão do restabelecimento das condições para o normal funcionamento das escolas do concelho, informa-se que todos os estabelecimentos de ensino se mantêm encerrados esta quinta-feira [hoje]”, revelou o Município de Pombal.

No caso do concelho da Marinha Grande, a situação é a mesma, desconhecendo-se a data de reabertura dos estabelecimentos de ensino.

Já em Pedrógão Grande, a Câmara divulgou que, “face aos efeitos da depressão Kristin, a escola estará encerrada” hoje, enquanto no concelho de Ansião, as escolas vão estar fechadas até domingo.

Devido às dificuldades nas comunicações, a Lusa não conseguiu contactar outras Câmaras, sendo que em Leiria decorre uma pausa letiva do calendário escolar semestral.

Lusa

Região de Leiria com dezenas de pequenas inundações

O Comando sub-regional de Emergência e Proteção Civil da Região de Leiria regista estas quinta-feira “algumas dezenas de ocorrências relacionadas com pequenas inundações” por falta de telhados em habitações devido à depressão Kristin.

“A esta hora [06h45] começam a surgir algumas dezenas de ocorrências relacionadas com pequenas inundações, motivadas não pela chuva excessiva, mas, principalmente, pela falta de telhados” em habitações, afirmou à agência Lusa o 2.º comandante sub-regional, Ricardo Costa.

Segundo Ricardo Costa, haverá “muitas centenas e, eventualmente, milhares de casas que terão problemas nos telhados”.

“As pessoas estão a pedir ajuda, tendo em conta que chove continuamente, não muito forte, mas está a causar muitos danos nas habitações”, referiu.

Explicando que “são situações em que não é fácil haver uma intervenção dos bombeiros, porque o nível de água dentro das habitações é muito baixo”, Ricardo Costa garantiu, contudo, que “estão a ser sinalizadas”.

“Nas mais emergentes ou em que a quantidade de água assim o justifica, são despachados meios, mas, neste momento, estão a ser definidas prioridades e é nisso que continuamos a trabalhar”, declarou.

Reconhecendo que depois do vento de quarta-feira sucede hoje a chuva, Ricardo Costa observou que “há muitas casas que têm sistemas de bombagem nas suas garagens, têm poços autónomos, que normalmente efetuam a sua retirada de água”, mas, não havendo energia elétrica, há “um conjunto de problemas acumulados que advêm do temporal”.

Este responsável da Proteção Civil da Região de Leiria esclareceu que durante a noite prosseguiram trabalhos de limpeza dos principais eixos rodoviários, alertando que há vias municipais em que “ainda não é possível circular”.

“Pedimos à população que se mantenha junto das suas habitações, tentem ajudar os vizinhos, tentem ajudar a reparar aquilo que foram os danos ou os pequenos danos que tiveram, porque, naturalmente, ainda não foi possível aos serviços municipais e aos corpos de bombeiros chegarem a todas as situações”, adiantou.

Explicando que foram definidas prioridades, no âmbito do abastecimento de água e de energia, como estabelecimentos prisionais, hospitais, lares ou centros de diálise, Ricardo Costa assinalou que estes casos estão “a ser supervisionados e apoiados pelos serviços municipais”.

“Gradualmente, nos próximos dias, porque estamos a falar de dias, vão ser resolvidas, mas com bastante tempo e muito trabalho pela frente” as outras situações, acrescentou o 2.º comandante sub-regional.

Lusa

Seis desalojados na Batalha e rede Siresp deixou de funcionar

O mau tempo registado na quarta-feira provocou seis desalojados no concelho da Batalha, onde a rede Siresp deixou de funcionar, afirmou à agência Lusa o presidente daquele município do distrito de Leiria.

“O Siresp [Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal] funcionou de manhã e à tarde deixou de funcionar. Nunca mais voltou a funcionar, a não ser em algumas zonas em São Mamede”, disse André Sousa.

O autarca da Batalha, que falava à Lusa depois das 22h00 de quarta-feira a partir de Fátima, no concelho vizinho de Ourém, para onde se deslocou para ter rede de telemóvel, precisou que “a rede Siresp funcionou desde as 05h00 até às 11h00, 12h00”.

“A partir daí, deixou de funcionar completamente, a não ser em algumas zonas em São Mamede”, reafirmou.

Destacando que a “principal notícia” é que o concelho não registou vítimas, o presidente da Câmara referiu que há “seis desalojados, mas todos eles encontraram solução”.

“Conjuntamente com os serviços municipais, conseguimos encontrar soluções em casa de familiares”, declarou.

Quanto às estradas, é possível circular em todas as vias principais, sendo que hoje o foco passa também pela limpeza das estradas secundárias.

“Há muitas árvores caídas, eu arrisco-me a dizer centenas ou milhares de árvores caídas”, salientou André Sousa.

Adiantando, àquela hora, que os serviços municipais estavam a trabalhar e iriam trabalhar toda a noite no fornecimento de água, André Sousa explicou que a autarquia estava a colocar oito geradores em furos e reservatórios, para recuperar o serviço de abastecimento de água.

“Temos muitos postes de eletricidade caídos, muitos mesmo. Estivemos a identificar também durante o dia de hoje [quarta-feira] todos os postes de média e baixa tensão, e depois tínhamos de vir a Fátima para comunicar à E-Redes, fomos também presencialmente”, adiantou, referindo que o Plano Municipal de Emergência e Proteção Civil foi ativado.

O presidente do Município da Batalha referiu ainda a existência de “danos significativos” em indústrias e até num pavilhão desportivo.

“Tivemos alguns acidentes rodoviários, incluindo um carro que se embrulhou nos fios elétricos e ficou suspenso no ar, na Estrada Nacional 356”, declarou.

André Sousa agradeceu o apoio da população, que “tem sido exemplar”, e de várias empresas do concelho, que “têm fornecido geradores ou têm ajudado na limpeza das ruas”.

Lusa

Alvaiázere com “cenário catastrófico”, diz presidente do município

O presidente do Município de Alvaiázere disse que o concelho tem um “cenário catastrófico” e referiu que foi sem apoio regional ou nacional que os agentes locais da Proteção Civil responderam ao embate da depressão Kristin.

“Em Alvaiázere, temos um cenário catastrófico com centenas de habitações muito danificadas estruturalmente, algumas pessoas desalojadas”, afirmou João Paulo Guerreiro, na quarta-feira, pelas 23h00, em conversa telefónica com a Lusa a partir de Leiria, onde conseguiu ter rede de telemóvel.

De acordo com João Paulo Guerreiro, na quarta-feira conseguiu-se desobstruir estradas, “das principais até às secundárias”, mas, ainda assim, “ficaram [vias] muito secundárias” por desimpedir.

“Montámos uma zona de acolhimento que, neste momento, está com cinco pessoas, com apoio médico, com apoio psicológico, e estamos, infelizmente, sem eletricidade e sem comunicações”, referiu o autarca.

O presidente da Câmara adiantou que a “principal prioridade é terminar os trabalhos de remoção das dezenas de milhares de árvores caídas”, assim como “manter a segurança das pessoas e restabelecer a normalidade na eletricidade e na comunicação”.

Elencando dificuldades de contacto com a E-Redes e operadoras de telecomunicações, João Paulo Guerreiro explicou que “o único meio de comunicação” que havia “era via rádio e essa via estava a ser usada para questões táticas e mais de comando e de estratégia de decisão”.

O autarca destacou a inexistência de vítimas, salientou que há “edifícios municipais também muito danificados, quase todos, de uma forma ou de outra, foram atingidos”, e repetiu a existência de um “cenário catastrófico”.

“Estou com alguma dificuldade em definir, porque estávamos à espera de um evento difícil, não estávamos à espera de um evento desta magnitude. A palavra que utilizo para definir é catástrofe, porque foi, efetivamente, o que aconteceu em Alvaiázere”, reiterou.

Por outro lado, realçou o trabalho exemplar de “todos os agentes da Proteção Civil”, mesmo “com comunicações muito limitadas e sem energia”.

“Sozinhos, sem nenhum apoio a nível regional ou nacional, conseguimos, com os meios que tínhamos disponíveis no concelho, dar uma resposta eficaz neste primeiro dia de embate. Agora, o importante é procurar restabelecer, o mais rapidamente possível, comunicações e energia elétrica, para que as instituições e as famílias possam funcionar dentro da normalidade possível”, acrescentou João Paulo Guerreiro.

O Plano Municipal de Proteção Civil está ativado e agora a autarquia espera ajuda do Governo, com medidas, para particulares e entidades, que possam ajudar a ultrapassar a situação e permitir a reconstrução do concelho.

Lusa

Linhas ferroviárias do Norte, Beira Baixa e Oeste mantêm-se suspensas

A circulação nas linhas ferroviárias do Norte, entre Lisboa e Porto, para os comboios de longo curso, da Beira Baixa e do Oeste mantinham-se às 06h30 desta quinta-feira suspensas devido a problemas causados pelo mau tempo, segundo a CP.

A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) disse à Lusa, cerca das 06h30, que não forma registadas durante a noite “ocorrências significativas”.

O ‘site’ da ANEPC regista, contudo, cerca de uma centena de ocorrências, muitas ainda de quarta-feira.

Na sua página na rede social Facebook, a CP indica que devido à passagem da depressão Kristin pelo território continental a circulação nas Linhas da Beira Baixa, do Oeste e do Norte, entre Porto e Lisboa, para os comboios de longo curso e serviço regional entre Coimbra B e Entroncamento continuam suspensas.

Na quarta-feira, a CP informou ter suspendido a venda de bilhetes para hoje para os comboios Alfa Pendular e Intercidades das linhas do Norte, Beira Alta e Beira Baixa.

A circulação ferroviária esteve na quarta-feira também suspensa nas linhas do Douro, Sul, de Évora, Beira Alta e nono Ramal de Tomar e no serviço regional entre Coimbra B e Aveiro (Linha do Norte).

Lusa

Força Aérea tenta restabelecer normalidade na Base Aérea de Monte Real após "danos significativos"

A Força Aérea está a tentar restabelecer a normalidade da atividade da Base Aérea N. 5 em Monte Real, Leiria, depois desta unidade ter sofrido na quarta-feira "danos significativos", mas sem deixar feridos, causados pela tempestade.

Apesar do impacto, a “Força Aérea mantém operacional a missão de defesa aérea do país”, refere em comunicado este ramo das Forças Armadas portuguesas.

É adiantado que a Força Aérea começou “a atuar de imediato para restabelecer a normalidade da atividade da Unidade, dando prioridade à segurança dos militares e trabalhadores civis que ali prestam serviço”.

A passagem da depressão Kristin afetou de forma muito significativa a zona de Leiria, “com Monte Real a registar impactos notáveis”, incluindo na Base Aérea, que sofreu danos significativos dos quais não resultaram feridos, cingindo-se a danos materiais avultados.

Nesta base aérea foi registada uma rajada de vento de 178 quilómetros por hora, um valor acima dos registados na quarta-feira pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera em toda a sua rede.

A passagem da depressão Kristin pelo território português deixou um rasto de destruição, causou cinco mortos e vários desalojados.

Os distritos mais afetados foram Leiria (por onde a depressão entrou no território continental), Coimbra, Santarém e Lisboa.

Quedas de árvores e de estruturas, corte ou condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.

Lusa

Mau tempo. Cerca de 450 mil clientes continuam sem eletricidade. Só no distrito de Leiria são 300 mil
Tempestade em Ourém: Exército acolhe mães e crianças ucranianas que ficaram desalojadas
Mau tempo. Cerca de 450 mil clientes continuam sem eletricidade. Só no distrito de Leiria são 300 mil
"Cocktail explosivo" explica severidade da Kristin. "Comboio de depressões" tem mais "duas carruagens a caminho"
Diário de Notícias
www.dn.pt