Os estragos provocados no setor agrícola pelo mau tempo ainda não se conseguem contabilizar, mas os agricultores estão preocupados com o futuro a curto e a médio prazo. Os prejuízos causados na Agricultura foram avultados em culturas e infraestruturas: floresta devastada, árvores de fruto e oliveiras arrancadas, estufas destruídas, vinhas arrasadas, campos de hortícolas e pastos alagados, muros, abrigos para animais e armazéns muito danificados. A zona do Oeste foi uma das mais sacrificadas. Sérgio Ferreira, presidente da Associação Interprofissional de Horticultura do Oeste, contou que “sabemos que a nossa região tem instaladas entre 700 a 1.000 hectares de estufas. Temos várias dezenas de hectares totalmente ou parcialmente destruídos. E depois temos muitos hectares com alguma destruição a nível dos plásticos. Não era tão grave se não tivéssemos o problema de já termos a cultura instalada. A cultura perdeu-se quase na totalidade, porque ao rasgar plásticos temos chuvas, ventos lá dentro, temperaturas diferentes. Tínhamos plantas pequenas que vão ter de ser completamente substituídas. Nestes casos é perca total”..Quantificar os valores das perdas e também o quanto vai ser preciso reinvestir ainda não é possível, uma vez que as Associações de produtores continuam a receber relatos de áreas agrícolas destruídas e ninguém sabe o que os próximos dias poderão trazer, porque as previsões meteorológicas são pessimistas. Mesmo assim Sérgio Ferreira garante: “são muitos milhões de euros de prejuízos. Acabamos de estar agora com o Ministro da Agricultura numa das explorações que teve danos avultados. Anunciou algumas medidas, que eram de reposição de potencial produtivo, com os custos elegíveis até aos 400 mil euros. Esse valor, só para as questões de infraestruturas, não chega. E temos de somar os custos inerentes às produções”..Tormenta pode reduzir crescimento da economia para metade em 2026 ou até afetar os próximos anos. O dirigente associativo referiu que não sabe se as medidas de apoio ao crédito serão adequadas para a zona do Oeste. “O que nós vemos é que existem algumas medidas a serem abertas. Mas o que se passa é que se perdeu a cultura que estava instalada e perde-se a capacidade de ter rendimento daqui a mais alguns meses, portanto não vai haver liquidez, em especial tesourarias para estas empresas nos próximos seis meses, ou até no próximo ano. Tivemos ainda a indicação do Ministro da Agricultura de que existem créditos bonificados para se conseguir chegar lá. Só que estamos a falar de valores elevados e grande parte destas estruturas, agora destruídas, ainda estavam a ser pagas. Vamos pôr um crédito em cima de outro. Isto não é muito fácil de conseguir. É fácil de dizer, mas não é fácil conseguir”..O Governo anunciou que os agricultores afetados pelos danos causados pela depressão Kristin já podem iniciar os pedidos de apoio, com a disponibilização dos formulários oficiais para declaração de prejuízos no setor agrícola. Os formulários já estão acessíveis nos sites das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR). No entanto, segundo as comunicações oficiais, estas declarações não constituem ainda uma candidatura formal a apoios financeiros. Depois de submetidas, as CCDR iniciarão a avaliação rigorosa dos prejuízos no terreno ou por outros meios técnicos, para determinar a elegibilidade e o montante de cada apoio.Pedro Pimenta, presidente da Cooperativa Agrícola de Coimbra está muito apreensivo com o anúncio governamental em relação aos apoios: “depois das candidaturas de apoio formalizadas vamos ver o tempo em que os técnicos das CCDR vêm ao terreno verificar se realmente houve danos ou se não houve. Tudo isso arrasta-se ao longo do tempo e precisávamos de uma administração mais ágil para este tipo de catástrofes, porque estamos a falar de uma catástrofe que devia ter outra ligeireza de funcionamento por parte do Ministério da Agricultura”.O responsável da Cooperativa considera que a zona teve um “prejuízo adicional” com as descargas que tiveram de ser feitas no açude, para proteger o rio Mondego. Disse ao Diário de Notícias que essas descargas provocaram cheias, que inundaram alguns campos com árvores semeadas, viveiros de plantas e árvores de fruto. “Neste momento esses campos ainda têm água em cima, logo é um prejuízo que nos vai afetar imenso. Só saberemos se têm recuperação depois de vermos quantos dias é que a água vai lá permanecer. Mas vai sempre haver culturas completamente perdidas”.Pedro Pimenta prevê que alguns agricultores deixem de exercer a sua atividade. “Vão aproveitar o momento e desistem, mas eu acredito que a maior parte estará de pedra e cal e vai continuar a investir. Vai pegar nas pequenas reservas que tem e vai ao banco tentar fazer um crédito no sentido de recuperar as plantações e continuar”.Os produtores referiram ainda que o país não vai sofrer com falta de alimentos por causa do mau tempo, porque os bens que eram produzidos para consumo interno, acabarão por vir de outros países. Defendem autonomia estratégica para que Portugal não fique mais dependente do exterior. .Uma a uma. As medidas do Governo para responder à tempestade Kristin