Marcelo solidário com a PSP após comentários racistas nas redes sociais

Está em causa uma publicação da PSP alusiva a um concurso para formação de oficiais da polícia, com a imagem de um agente negro, que foi alvo de comentários racistas.
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O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, manifestou esta terça-feira "toda a solidariedade" com a Polícia de Segurança Pública (PSP) após um anúncio desta instituição ter sido alvo de comentários racistas nas redes sociais.

"O Presidente da República falou com o diretor nacional da Polícia de Segurança Pública, exprimindo toda a solidariedade em relação ao anúncio de um concurso para oficiais da PSP, bem com a atuação desta Instituição neste contexto", lê-se numa nota colocada na página eletrónica da Presidência.

Na sequência desses comentários, a polícia remeteu ao Ministério Público os factos apurados e a "informação que se considera ter relevância criminal", anunciou a PSP num comunicado divulgado na segunda-feira.

A PSP remeteu ainda à Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial "os comentários que consubstanciam infração de natureza contraordenacional", da competência desta entidade.

No mesmo comunicado, a polícia "repudia qualquer tipo de discurso ou comentários de teor racista e reitera que todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei", lembrando que a Constituição consagra que "ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual".

"A PSP apela a que todos os cidadãos mantenham um comportamento cívico adequado a contribuir para a paz social", lê-se ainda na nota da polícia.

A publicação da PSP foi colocada no Twitter no dia 16 de junho e diz respeito a um concurso para formação de Oficiais da Polícia ministrado no Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna.

O ministro da Administração Interna, José Luís Carneiro, condenou esta terça-feira os comentários racistas de que um agente da PSP foi alvo nas redes sociais, considerando que devem ser "exemplarmente sancionados".

"Atitudes que atentem contra os valores constitucionais, nomeadamente contra o artigo 13.º da nossa Constituição, de que todos os cidadãos são iguais perante a lei e são merecedores da mesma dignidade de tratamento da parte de todos nós, (...) são atentados ao Estado de Direito", disse hoje aos jornalistas, no Porto.

José Luís Carneiro falava após a sessão de abertura da MAI Tech, uma conferência de tecnologia nas áreas da segurança e proteção civil, promovida pelo Ministério da Administração Interna.

Em causa está uma publicação da PSP na rede social Twitter alusiva a um concurso para formação de oficiais da polícia, com a imagem de um agente negro, que foi alvo de comentários racistas.

"A Polícia de Segurança Pública [PSP] fez uma identificação desses comentários, avançou com procedimentos contraordenacionais, e ao mesmo tempo participou ao Ministério Público, como deveria ter feito", disse ainda o governante.

José Luís Carneiro disse esperar que, "provando-se a origem e a identidade, haja justiça relativamente a quem atenta contra cidadãos que são iguais em dignidade, em deveres e em direitos, a quaisquer cidadãos do país", classificando os comentários como "atitudes inaceitáveis" que "devem ser exemplarmente sancionadas", concluiu.

Também esta terça-feira o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, manifestou "toda a solidariedade" com a PSP após o episódio.

"O Presidente da República falou com o diretor nacional da Polícia de Segurança Pública, exprimindo toda a solidariedade em relação ao anúncio de um concurso para oficiais da PSP, bem com a atuação desta Instituição neste contexto", lê-se numa nota colocada na página eletrónica da Presidência.

Além do Ministério Público, a PSP remeteu ainda à Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial "os comentários que consubstanciam infração de natureza contraordenacional", da competência desta entidade.

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