“Espero receber e promulgar brevemente os diplomas do SNS”. Foi desta forma que Marcelo Rebelo de Sousa reagiu à devolução ao Governo de três decretos-lei ligados a mudanças estruturais na área da saúde, que regressaram ao executivo sem promulgação para aperfeiçoamento. Contactado pelo Diário de Notícias, o chefe de Estado não quis fazer mais declarações, lembrando que estará em plenas funções até 9 de março. Os diplomas, que estiveram cerca de cinco semanas em Belém e que o Governo pretendia ver em vigor o mais rapidamente possível, dizem respeito a matérias centrais da reforma do Serviço Nacional de Saúde (SNS). No Governo, liderado por Luís Montenegro, existe preocupação quanto ao eventual atraso do diploma considerado mais urgente, relacionado com a reorganização das urgências regionais, em particular das urgências obstétricas. As zonas mais críticas identificadas são a Península de Setúbal e o eixo a norte de Lisboa, incluindo Vila Franca de Xira, Santarém e Abrantes. Foi entendimento de Belém, porém, que a importância dos diplomas que dizem respeito a contratação de médicos, organização dos serviços e das urgências, exige leitura atenta. .Diplomas "não visavam resolver os problemas do SNS", mas "gerir e acomodar as suas ineficiências", acusa Fnam. Sobre esta matéria, o DN ouviu Diogo Aires de Campos, presidente da Federação das Sociedades Portuguesas de Ginecologia e Obstetrícia. O médico admite não conhecer o conteúdo detalhado do diploma, mas reconhece a urgência de mudanças no terreno. “Não conheço o texto em pormenor e pode dar-se o caso de Marcelo Rebelo de Sousa ter toda a razão, mas de facto é muito premente a concentração de urgências”, afirmou. Diogo Aires de Campos apontou ainda as dificuldades sentidas no Hospital do Barreiro. “O Barreiro tem imensa dificuldade em manter as equipas preenchidas de maneira a ter urgências obstétricas abertas em permanência”, disse, defendendo uma solução concreta: “Concentrar a urgência do Barreiro com a do Garcia de Orta era uma solução que, neste momento, se afigura urgente e importante”..PR promulga centros de obstetrícia com recado: espera que abra soluções “sistemáticas e duradouras”