
Com a manifestação já no Rossio, a multidão dividiu-se e a disposição mudou face à acampada anterior e aos protestos que se seguiram.
As tendas voltaram a ser montadas no mesmo lado norte da estátua, viradas para o Teatro Nacional D. Maria II.
Porém, ao contrário do que acontecia antes, o palco onde decorrerá a Assembleia Popular e os concertos dos vários artistas ficou no lado sul.
Cerca de duas horas depois de começar a descer a avenida da Liberdade desde o Marquês de Pombal, a manifestação pelo direito à Habitação começou a chegar à praça D. Pedro IV (também conhecida por Rossio).
A concentração vai agora ficar na praça e reunir a sua Assembleia Popular e, como definido na quinta-feira, voltar a acampar nessa praça, uma semana depois da primeira acampada.
Milhares de manifestantes chegaram este sábado à Praça D. João I, no Porto, para se juntarem a outras centenas de populares que aguardavam a manifestação ao som de música, sol e sob a vigilância de dezenas de polícias de intervenção.
Pelas 17h15, com a frase de ordem "Direito à habitação" e ao som de batuques, bombos e palmas, a população recebeu de pé milhares de manifestantes que saíram da Praça da Batalha, no Porto, pelas 16h30.
Em declarações à Lusa, o subintendente da PSP, R. Silva, avançou que saíram esta tarde da Praça da Batalha, no Porto, cerca de “600 manifestantes”, em direção à Praça D. João I, mas a Lusa constatou no local que ao longo do percurso pelas várias artérias do coração da baixa do Porto, se iam juntando várias centenas de pessoas, com destino à Praça D. João I.
Ao som do poema “Pedra Filosofal” (1956), escrito por António Gedeão e cantado por Manuel Freire, e com canções de intervenção e hinos da resistência em Portugal, como músicas de José Afonso e temas como “Com um brilhozinhos nos olhos”, de Sérgio Godinho, várias centenas de populares aguardavam a chegada de milhares de manifestantes que estão hoje na rua a lutar contra os preços elevados da habitação.
À Lusa, Maria Magalhães, 73 anos, nascida em Esposende e que veio viver para o Porto, está vestida de negro, sentada nas escadas da Praça D. João I, à espera dos manifestantes, com quem diz concordar.
“Apelo às pessoas que estão a governar que olhem para este problema da habitação. O custo de vida, as habitações que os jovens não conseguem suportar e não conseguem comprar casa. Não me admira nada que a juventude se esteja a unir para que possam ter um futuro mais digno - constituir família e ter um futuro digno”, declarou. Lusa
A PSP tem este sábado um dispositivo policial preparado para acompanhar as manifestações pelo direito à habitação em várias cidades do país, com especial atenção em Lisboa e Porto, avançando que vai continuar a privilegiar o diálogo com os manifestantes.
Numa nota sobre o dispositivo policial para as várias manifestações que decorrem em várias cidades, a Polícia de Segurança Pública refere que a prioridade “é garantir o exercício do direito de reunião e manifestação, procurando que todas as iniciativas decorram de forma pacífica e em segurança”.
Segundo a PSP, para as manifestações estão mobilizadas valências do trânsito, para apoiar a gestão dos condicionamentos rodoviários, e equipas de intervenção rápida, estando de reserva os meios da Unidade Especial de Polícia, nomeadamente o Corpo de Intervenção e o Grupo Operacional Cinotécnico.
“A nossa atuação continuará a privilegiar o diálogo, a comunicação e a mediação com os manifestantes, numa lógica de prevenção e de gestão proporcional de eventuais ocorrências”, indica a polícia.
A polícia dá ainda conta que “está também a acompanhar a informação disponível em fontes abertas, incluindo no ambiente digital, de forma a melhor compreender a evolução dos acontecimentos e as intenções publicamente manifestadas, permitindo uma adequada antecipação e gestão de eventuais riscos”. Lusa
O líder do Bloco de Esquerda juntou à manifestação e diz que a mobilização de pessoas de "todas as idades, de todo o país, de todas as origens profissionais" em torno das questões da habitação pode ter impacto. "Foi isso que fez com que o pacote laboral tivesse perdido primeiro na rua e depois no Parlamento. E eu creio que é isso que vai acontecer com a Lei das Rendas", afirmou antes do início da marcha.
José Manuel Pureza sublinhou que "nestes últimos dias não temos ouvido o primeiro-ministro falar sobre estes protestos. Nem sobre isto, nem sobre nada. O primeiro-ministro encontra-se ausente em parte incerta".
O líder do Bloco considera que o "primeiro-ministro não querer ser visto, tem muito a ver também com isto. Ou seja, com a sua vontade de não ser confrontado com uma mobilização nacional que é cada vez mais forte".
Na manifestação está também João Ferreira, vereador da Câmara Municipal de Lisboa pelo PCP, que acusa o Governo de não tomar medidas para resolver o problema da habitação. "Em lugar de tomarem as medidas que se impõem para resolver o problema [da habitação], para combater a especulação imobiliária, para dar outra segurança e estabilidade aos contratos de arrendamento, tomam medidas no sentido oposto. Ou seja, medidas que agravam a especulação imobiliária, criam ainda maior instabilidade e mais dificuldade de acesso à habitação. Isso não pode deixar de gerar indignação", afirmou aos jornalistas.
A deputada do Livre Isabel Mendes Lopes associou-se ao protesto e antes do arranque da marcha, em declarações à RTP, disse que "esta mobilização cidadã tem tido um grande efeito, pelo menos na mudança do tipo de discurso que vemos por parte dos dirigentes políticos, nomeadamente por parte do Governo e dos partidos da direita".
Considera a deputada que "quando começaram estas mobilizações, víamos declarações muito atiçadas, muito até insultuosas relativamente a quem se estava a manifestar, e agora o tom está muito mais amenizado e, portanto, mostra que os governantes percebem que a opinião pública está com os manifestantes e com quem exige soluções concretas para resolver a crise da habitação".
O movimento Acampada de Lisboa promove uma manifestação contra a especulação e pelo direito à habitação, que sairá do Marquês de Pombal até à praça do Rossio. A manifestação "Não temos casa, montamos tendas!" sai da rotunda do Marquês de Pombal e termina na Praça do Rossio, onde tem montado tendas.