O Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social (IGFSS) tem atualmente mais de um terço do seu parque imobiliário desocupado, somando centenas de frações devolutas em todo o país. O cenário de subutilização de ativos públicos é acompanhado por um elevado nível de incumprimento financeiro por parte de diversos organismos estatais.A notícia foi avançada pela RTP, que revela que os imóveis sob a tutela deste organismo enfrentam graves problemas de gestão. De acordo com uma auditoria conduzida pela Inspeção-Geral de Finanças (IGF), o volume de património sem uso e as dívidas acumuladas por parceiros públicos colocam em causa a eficiência da administração destes recursos.Centenas de imóveis devolutos e milhões de dívida em rendasAo todo, a Segurança Social detém 854 frações que estão classificadas como devolutas. Este número representa uma fatia considerável do património imobiliário público gerido pelo IGFSS, suscitando questões sobre a priorização destes espaços num momento em que existe no país uma crise habitacional e o papel do setor público na resposta à mesma domina o debate político.Ao todo, entre as frações desocupadas e os edifícios devolutos, é mais de um terço de todo o património da Segurança Social que se encontra sem utilização.Além da falta de ocupação física, o setor enfrenta um desafio de sustentabilidade financeira. Mesmo nos imóveis ocupados, as entidades públicas que ocupam edifícios pertencentes à Segurança Social acumulam, neste momento, uma dívida que ultrapassa os 33 milhões de euros em rendas por cobrar.Este montante em falta constitui uma verba que deixa de ser canalizada para a Segurança Social, prejudicando a capacidade de conservação, manutenção e reinvestimento no próprio parque imobiliário do Estado.