Os portugueses estão cada vez mais conscientes dos danos que a exposição ao sol pode provocar na pele. Basta referir que 98% de 1504 pessoas inquiridas no nosso país - que participaram num estudo que envolveu, no total, seis mil pessoas em quatro países (Portugal, Espanha, Itália e México), realizado pelo Observatori Heliocare, Cantabria, Labs, e que vai ser apresentado hoje em Lisboa - revelaram saber que o sol pode provocar cancro da pele. Portugal foi o país que revelou maior taxa de conhecimento sobre este tema, sendo que Espanha também se aproximou, com 97% dos inquiridos a dizer que sabiam da associação de exposição ao sol e o cancro de pele. Em Itália, 94% dos inquiridos confirmou o mesmo e no México foram 89%, já que 11% desconheciam esta informação.Quanto ao cancro de pele, no universo dos seis mil, 23% dos inquiridos confessou ter antecedentes próprios ou entre familiares, sendo os portugueses os que registam menor percentagem (22%) deste tipo de situação. No entanto, foram os espanhóis os que mais admitiram fazer uma vigilância anual aos problemas de pele - 42% referiu ir anualmente ao dermatologista. Em Portugal, só 34% fazem este tipo de vigilância anual, com 54% a admitir que só vai ao dermatologista quando vê uma lesão na pele (sinal ou mancha). Em Itália, também só 34% dos inquiridos admitiram fazer visitas anuais ao médico e 37% vão quando detetam algo fora do normal. No México, 50% disseram ir anualmente ao médico e 39% quando detetam lesões.Mas, a nível global, nos quatro países, 57% dos inquiridos já associam “o bronzeado ao envelhecimento ou a danos na pele”. Aqui, Portugal sai a perder tal como a Itália, onde 45% e 46%, respetivamente, dos inquiridos ainda associam o bronzeado a uma “questão de beleza e saúde”. Em Espanha e no México, mais de metade dos entrevistados já associaram o bronzeado a danos cutâneos, respetivamente, 58% e 68%. No que toca a queimaduras graves, Portugal e Itália também são os que têm pior comportamento, com 42% e 56%, respetivamente, a admitirem já ter sofrido queimaduras graves.À questão sobre se usa protetores solares, a maioria dos portugueses e dos espanhóis responderam que sim, 63% e 67%, respetivamente, enquanto só 50% dos italianos e 51% dos mexicanos é que o assumiram. Mas a maioria concorda que o uso de protetores serve para prevenir o envelhecimento, rugas ou manchas, e queimaduras. Portugal e Espanha, por exemplo, destacam-se também no uso de proteção elevada, com mais de metade dos inquiridos a dizer que usa protetores +50, 63% e 67%, respetivamente. Os que não usam este tipo de proteção é porque já têm uma pele bronzeada, porque se querem bronzear ou porque acreditam que a sua pele não necessita de tanta proteção. Mas mesmo usando protetores com SPF elevado (Sun Protection Factor, sigla inglesa, ou Fator de Protecção Solar) ainda há cuidados que importantes e que não são tidos por hábito, como o uso de proteção diária ou a reaplicação de protetor quando se está ao sol. No primeiro item só os mexicanos dizem ter este hábito, os restantes não. Quanto ao segundo, a maioria dos inquiridos não tem por hábito reaplicar protetor de duas em duas horas quando está ao sol, justificando tal com o “esquecimento”. No caso de Portugal, também com a “preguiça”, no caso de Itália pelo “desconforto” e no México por “falta de tempo”, mas há mais justificações, como “a minha pele não precisa de tanta proteção”, porque “quero obter mais Vitamina D” ou porque “não percebo o risco”.Em relação ao desconhecimento sobre os efeitos da “luz visível” na pele, que pode causar manchas e outros danos, mais de metade dos inquiridos nos vários países (55%) não sabia que tal acontecia. O maior desconhecimento foi observado em Espanha e em Portugal. Por outro lado, em todos os países foi detetada maior consciência sobre a necessidade de protetores para adultos e para crianças. Outro bom indicador revelado pelo estudo é o de que a maioria dos inquiridos em Portugal, Espanha e Itália segue as “recomendações de médicos e farmacêuticos” sobre proteção adequada ao sol. Aliás, os portugueses foram os que se manifestaram mais adeptos de seguir os conselhos dos médicos e dos farmacêuticos, com 58% a dizer que o faz. Só no México, é que a recomendação pela internet e nas redes sociais é aquela que é mais frequentemente utilizada.No final, um dos alertas do estudo vai para a percentagem de pessoas que diz não usar qualquer proteção contra o sol, em média cerca de 9% - um dado que se mantém do ano anterior. Por isso, os autores do estudo recomendam que a sensibilização e a informação sobre os efeitos nocivos do sol têm de continuar a ser feitas e de forma consistente. .Estudo: ondas de calor estão a acelerar o envelhecimento humano