Madrugada de violência em Lisboa e Porto: manifestantes e polícias feridos após confrontos

Mais uma vez, PSP atuou de forma simultânea no Porto e em Lisboa. Afirma que operação ocorreu com base na "legalidade" e "proporcionalidade". Presidente pediu explicações.
Polícias e manifestantes ficaram feridos.
Polícias e manifestantes ficaram feridos.Foto: Gerardo Santos

Movimento "responsabiliza" primeiro-ministro

"Responsabilizamos politicamente o Governo de Luís Montenegro pela repressão policial contra a Acampada de Lisboa. Não aceitaremos que a luta por um direito constitucional seja respondida com violência, detenções e destruição dos nossos espaços de organização coletiva", mais destacam no comunicado.

O grupo ainda pede apoio da sociedade civil. "Apelamos às organizações da sociedade civil, sindicatos, movimentos sociais, associações e a todas as pessoas comprometidas com os direitos fundamentais para que condenem publicamente estas intervenções e manifestem solidariedade com as pessoas feridas e detidas".

Movimento Acampada Lisboa reitera que estavam "de forma pacífica"

Em comunicado partilhado nas redes sociais, o movimento Acampada Lisboa retira que estavam de forma "pacífica" no Rossio. "Reafirmamos que estamos no Rossio de forma pacífica, sem perturbar a ordem pública nem impedir a circulação. É nosso entendimento jurídico, partilhado, segundo a informação de que dispomos, pelo Ministério Público, que a colocação e manutenção de tendas neste contexto não constitui crime. Até ao momento, não nos foi apresentada qualquer fundamentação legal que justifique a sua retirada", afirmam.

"Porque é que pessoas que exercem pacificamente o seu direito de manifestação são recebidas com violência? Porque é que uma estrutura comunitária, construída coletivamente e assente na solidariedade, é tratada como uma ameaça?", questionam.

Foto: Gerardo Santos

Repórter de imagem da CMTV agredido à bastonada pela PSP no Porto

Um repórter de imagem da CMTV foi hoje agredido à bastonada pela PSP durante a carga policial sobre manifestantes na Praça D. João I, no Porto. A Lusa confirmou no local que o repórter de imagem foi alvo de bastonada enquanto trabalhava, no Porto, durante a carga policial que causou 38 feridos, três deles graves, segundo balanço preliminar da organização.

*Lusa

Violência também no Porto

No Porto, a intervenção policial arrancou pelas 04:32, já depois da unidade cinotécnica ter tirado vários cães de uma carrinha, e entrou por um dos flancos, como há uma semana, para chegar às tendas, entretanto destruídas ou retiradas, com trabalho também de equipas de limpeza da Câmara do Porto. A ação durou cerca de 20 minutos e incluiu, também, uma incursão pelo meio da praça, com um ataque ao cordão de manifestantes presentes.

A polícia recorreu aos bastões e escudos para dispersar os manifestantes, tendo a Lusa presenciado, no local, várias pessoas agredidas com este instrumento e pelo menos um manifestante que sangrava da cabeça, além de várias pessoas caídas e a clamar por assistência médica. Os manifestantes resistiram, gritando que a ação era pacífica, à medida que a força policial avançava com a intervenção, até os empurrar até à Rua Dr. Magalhães Lemos, de onde se deslocaram escassos metros até à Avenida dos Aliados e à Câmara do Porto.

*Lusa

Foto: Josá Coelho / Lusa

O DN registou os confrontos

Veja abaixo a fotogaleria, pelas lentes do fotojornalista Gerardo Santos

Polícias e manifestantes ficaram feridos.
Veja as imagens da violência dos protestos em Lisboa

Defesa dos manifestantes vai participar criminalmente contra ministro e diretor da PSP

O advogado Ricardo Sá Fernandes, que representa manifestantes da Acampada de Lisboa, disse hoje que vai avançar com participação criminal contra o ministro da Administração Interna e o diretor nacional da PSP após a carga policial desta madrugada.

“Isto é uma noite negra na história da democracia portuguesa. Isto é absolutamente inultrapassável, intolerável, ultrapassou todos os limites. E, por isso, o ministro e o diretor da polícia podem ter a certeza que terão participações criminais por abuso de poder”, afirmou advogado Ricardo Sá Fernandes.

*Lusa

Sete manifestantes detidos pela PSP no Porto foram libertados

As sete pessoas detidas na sequência da intervenção da PSP contra a acampada do Porto foram hoje libertadas pelas 07:50, constatou a Lusa no local, e terão de se apresentar segunda-feira em tribunal.

Em declarações aos jornalistas na esquadra da PSP do Heroísmo, no Porto, um dos advogados que representa os manifestantes, Tiago Machado, disse que os detidos, quatro mulheres e três homens, terão de se apresentar às 10:00 no Juízo Local de Pequena Criminalidade no Porto.

“De que são acusados [ainda não sabemos]", disse, apontando que deverá ser por crime de desobediência. Quatro mulheres e três homens foram hoje detidos na sequência dos protestos pela habitação que decorreram no Porto.

*Lusa

Veja no link abaixo as imagens dos confrontos

Polícias e manifestantes ficaram feridos.
Pelo menos 10 detidos e seis feridos na acampada de Lisboa

PSP confirma que um agente sacou arma de fogo

Em declarações aos jornalistas na sede da PSP em Lisboa, Sérgio Soares argumentou que o uso da força só aconteceu após os manifestantes atirarem tintas e petardos contra a polícia. Entre os 13 detidos na intervenção policial nas manifestações pelo direito à habitação, o porta-voz da PSP explicou que seis foram detidos em Lisboa e sete no Porto.

Já dos polícias feridos, todos no Porto, 10 eram da polícia de intervenção e três estavam numa unidade à civil. Um quarto polícia desta unidade à paisana no Porto retirou a arma de fogo quando os manifestantes se aproximaram, admitiu Sérgio Soares.

*Lusa

Presidente pediu explicações sobre atuação da PSP

O Presidente da República solicitou informações "com todo o detalhe" ao Governo e Provedoria de Justiça, sobre o que se passou nesta madrugada nas manifestações de Lisboa e do Porto e sobre a situação dos detidos e feridos.

Segundo fonte oficial da Presidência da República, "o Presidente da República solicitou informações e esclarecimentos, com todo o detalhe, sobre o que se viveu esta madrugada nas manifestações em Lisboa e Porto e o que está a passar-se com os manifestantes detidos e com todas as pessoas feridas".

As informações foram solicitadas ao Governo e à Provedoria de Justiça, tendo em conta o acompanhamento feito pelo Mecanismo de Prevenção.

*Lusa

Foi mais uma madrugada de confrontos em Lisboa e no Porto, nas manifestações pela habitação. A Polícia de Segurança Pública (PSP) atuou em simultâneo nas duas cidades para desmobilizar as acampadas, por volta das 4:30.

Pessoas que protestavam foram feridas na sequência na intervenção, com a PSP não avançando, para já, o número total. Do lado da polícia, as autoridades confirmam 13 agentes feridos. "No decurso das intervenções, foram registadas situações de resistência ativa por parte de alguns dos presentes, que dificultaram a atuação policial e o cumprimento das determinações transmitidas", lê-se

No comunicado enviado às redações, a PSP afirma que " a atuação da PSP foi precedida de diligências com vista a promover o cumprimento voluntário das determinações legais, privilegiando o diálogo, a comunicação, a sensibilização e a mediação".

No entanto, "perante a ausência de cumprimento voluntário e a resistência verificada, tornou-se necessária a intervenção policial para assegurar a reposição da legalidade".

Polícias e manifestantes ficaram feridos.
Pelo menos 10 detidos e seis feridos na acampada de Lisboa
Polícias e manifestantes ficaram feridos.
Fotogaleria: a criatividade da indignação nos protestos pela habitação