A tempestade Kristin, que se abateu com severa intensidade na madrugada de 28 de janeiro sobre a região de Leiria, atingiu mais de 200 mil habitações em 171 municípios. Exatamente seis meses após a passagem da depressão, foi revelado que estão aprovadas 19.477 candidaturas a apoios públicos para a reconstrução de casas, de um total de 35.908 pedidos. Contudo, há mais de seis mil solicitações que ainda não foram analisadas. As seguradoras receberam 179.046 reportes de sinistro, estando cerca de 81% deste volume pago. Assinale-se que há também 1248 casas que continuam a aguardar reposição de acesso a comunicações fixas. Os dados são da Estrutura de Missão – Reconstrução da Região Centro que, ontem, apresentou um balanço dos trabalhos."São mais de 200 mil casas que foram diretamente afetadas pela tempestade”, afirmou o coordenador da Estrutura de Missão, Paulo Fernandes, em conferência de imprensa, em Leiria. O responsável fez questão de sublinhar que "são mais de 200 mil processos", entre os que ativaram a apólice de seguro e as candidaturas à própria linha de apoio até 10 mil euros do Estado. Isto porque "lembro-me já de falar de 100 mil [casas], lembro-me já de falar de 150 mil, eu hoje posso garantir formalmente que são mais de 200 mil", afirmou. E frisou: É "um número muito superior àquilo que tínhamos na nossa previsão inicial”.Paulo Fernandes admitiu não ser possível “referir quantas casas das 200 mil já foram recuperadas”, mas acredita que foi “um número seguramente importante”. “Não consigo dizer, porque ninguém de boa-fé pode dizer do ponto de vista formal, mas percebemos que, obviamente, muitas delas foram, porque os empresários nos dizem”, afirmou. O responsável reconheceu a necessidade de acelerar este trabalho, que enfrenta desafios de mão de obra e logística. Segundo disse, as associações de construção civil têm dito que só aceitam “encomendas a partir de 18 meses”.De acordo com a Estrutura de Missão, o valor de apoios públicos à reconstrução de casas é, no momento, de 83,5 milhões de euros, de um custo total estimado entre os 105 e os 110 milhões de euros. O valor médio atingiu 4284 euros. O Governo comprometeu-se a atribuir estes apoios no prazo máximo de três dias úteis nas despesas até cinco mil euros (com fotografias), e até 15 dias úteis nas intervenções a exigir verbas até 10 mil euros. As seguradoras receberam um total de 179.046 reportes de sinistro, tendo já pago 537,2 milhões de euros relativos a 145 mil. A estimativa aponta para um custo global de 661,5 milhões de euros. O valor médio de indemnização é de 3695 euros.Esta terça-feira, 28 de julho, a Cáritas Diocesana de Leiria revelou a existência de casas danificadas pelo mau tempo com danos muito superiores aos apoios do Estado. A comissão de atribuição do Fundo de Emergência Social, criado pela instituição para apoiar os cidadãos afetados pela tempestade Kristin, deliberou aumentar o limite máximo de apoio por agregado familiar para 30 mil euros, uma duplicação face aos 15 mil euros iniciais. Este reforço deveu-se “ao volume de donativos recebidos”, que “criou margem para uma resposta mais robusta”, e ao “contacto direto com as famílias sinistradas no terreno”, que “tornou evidente que 15 mil euros como complemento ao apoio da CCDR Centro e, por vezes, das seguradoras, era claramente insuficiente para fazer face à extensão real dos danos”.No relatório de acompanhamento e prestação de contas do fundo, a Cáritas assinalou também que “as apólices de seguro de muitas das famílias apoiadas — frequentemente antigas e com coberturas desatualizadas face ao valor real das habitações — resultaram em indemnizações muito aquém dos prejuízos efetivos”. Segundo o documento, “somando o apoio estatal a uma indemnização de seguro insuficiente, subsistia em muitos casos um diferencial significativo que tornava a reconstrução inviável sem um apoio complementar mais substancial”.O Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social informou também ontem que os apoios à manutenção de emprego nos concelhos afetados pela tempestade Kristin ultrapassam os 287 milhões de euros. Este valor inclui mais de 53 milhões de euros pagos através do incentivo extraordinário à manutenção dos postos de trabalho e aos trabalhadores independentes, que abrangeu cerca de 23 mil pessoas, mais de três milhões de euros do lay-off simplificado (para um universo de 5600 trabalhadores e 680 empresas) e quase 231 milhões de euros da isenção de pagamento de contribuições à Segurança Social (beneficiou quase 130 mil trabalhadores e 10 mil empresas), diz o ministério em comunicado.Estes dados comprovam o impacto da tempestade Kristin na região de Leiria que, muitos dias depois, foi avaliado em cerca de 5300 milhões de euros. O coordenador da Estrutura de Missão, que estará em campo até ao final de 2027, considerou ser "impossível" executar esse montante e realizar todas as intervenções necessárias até dezembro de 2027. “Esperemos que a componente da habitação e a componente das empresas esteja toda ou praticamente toda” executada, disse Paulo Fernandes. E considerou ser “natural que nas grandes infraestruturas públicas, por exemplo, e em algumas grandes infraestruturas privadas, obviamente essa questão seja mais demorada, porque milagres ninguém faz neste processo”.Com Lusa.Seis meses depois da depressão Kristin, região de Leiria ainda longe da efetiva recuperação.Mau tempo. Regulador dos serviços energéticos com cerca de 60 pedidos de intervenção.Mau tempo: Provedoria de Justiça desencadeou 15 processos de queixa