As juntas de freguesia querem ser mais ativas no acolhimento de imigrantes e no apoio à integração. Esta é a visão de Francisco Manuel Branco de Brito, presidente da Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE), que, em entrevista ao DN, adiantou já ter falado com a Agência para Integração, Migrações e Asilo (AIMA). “A ANAFRE já reuniu com a AIMA e já se disponibilizou para negociar algumas competências a nível pontual para conseguir ajudar a agência e os migrantes”, destaca o também presidente da União das Freguesias de Évora.Estas competências estariam, nomeadamente, relacionadas com a prestação de informações aos cidadãos. As juntas de freguesia, muitas vezes, são os primeiros locais que os imigrantes procuram ao chegar a uma determinada localidade. Francisco Manuel Branco de Brito exemplifica: “Muitas vezes para esclarecer as dúvidas mais simples as pessoas acabam por esperar muitos meses junto à AIMA, tendo em conta que as juntas de freguesia são a primeira porta, entendemos que também podemos ajudar a responder a essa situação”, detalha.Segundo o presidente da ANAFRE, a AIMA mostrou-se aberta a receber esta ajuda. “A AIMA mostrou-se disponível para fazer formação aos funcionários das juntas de freguesia para responderem em questões mais básicas. Neste momento a nós também nos interessava ter algum tipo de competências que fossem um bocadinho mais objetivas”, explica. “Para além desta questão de responder às vezes a questões muito básicas que quase qualquer junta de freguesia consegue responder já hoje, gostaríamos de conseguir ter uma participação mais ativa que conseguisse diminuir o tempo de espera junto à AIMA”, afirma. A ANAFRE também foi voz ativa em dar sugestões para o novo plano de integração, que ainda não foi lançado, mas está para breve. A associação levou ao Governo a preocupação com a falta de mão de obra a nível local, que poderá ser preenchida com trabalho de migrantes. “Sinalizamos que é importante flexibilizar algumas regras para conseguir garantir que no presente, porque já começamos a receber relatos que mostram maior dificuldade na contratação de pessoas, principalmente no interior do país”, reforça. São casos, principalmente, de funções operacionais, como eletricistas. Neste sentido, a lei não é clara e o que a ANAFRE propõe é uma clarificação da legislação. “Há vários entendimentos. Há pessoas que entendem que a lei não proíbe, mas há quem entenda que no trabalho técnico não é permitido, mas no caso de um eletricista é ou não um trabalho técnico, por exemplo? Nós entendemos que deve haver uma clarificação da lei”, defende.Atualmente, parte das juntas de freguesia não aceita a participação de trabalhadores estrangeiros nos processos de seleção. “Há muitas juntas de freguesia que abrem concursos e municípios que abrem concursos e colocam lá a cláusula da nacionalidade portuguesa como obrigação precisamente por terem esta dúvida”, conta. O presidente da entidade ainda vai mais longe no argumento de defesa destes profissionais. “Quando nós definimos que integramos ou queremos integrar pessoas, não podemos colocar este tipo de barreiras. Eu sou da opinião que as entidades públicas devem ser as primeiras a dar o exemplo em todas as matérias, quer nesta questão do acolhimento e da integração”, afirma.Em relação aos atestados de residência, o problema já não se coloca, desde que a AIMA passou a exigir declarações de senhorios ou contratos reconhecidos para atestar a moradia.amanda.lima@dn.pt .Imigração. Com novos limites à entrada no país, próximo foco é a integração