A decisão da ONU ofende simultaneamente o direito internacional e o simples bom senso político, escreve o jornalista Guido Olivieri no 24 Heures, de Lausana ao referir-se à recente votação da Assembleia-Geral das Nações Unidas [DN, 17/1/73]que negou a Portugal o direito de representar naquela Organização os seus territórios africanos..“Alguns” - acentua o jornalista - “acolheram este voto como uma grande vitória. A mim parece-me que seja qual for a excelência de um veredicto não podemos dar-lhe demasiado valor quando ele ofende simultaneamente o Direito Internacional e o simples bom senso político”..Guido Olivieri colunista habitual do 24 Heures e especialista em assuntos ligados à Política Internacional, escreve mais adiante..“No plano jurídico, com efeito, Portugal foi admitido nas Nações Unidas na sua totalidade, numa época em que , verdade seja dita, nenhum movimento de libertação operava nas suas terras africanas. Portanto, do ponto de vista estritamente legal, o último voto do palácio de vidro constitui uma ingerência nos assuntos internos de Portugal.”.“Vendo as coisas por um prisma mais psicológico”, acrescenta Guido Olivieri, “a ação da ONU parece singularmente orientada unilateralmente contra alguns países - Portugal e África do Sul -, enquanto que ninguém pensou jamais em pedir a retirada dos tanques soviéticos de Praga, situação que, no entanto, contradiz nitidamente o espírito e letra da Carta da ONU. Da mesma forma que Pequim foi admitida nas Nações Unidas sem que se pensasse, por um momento sequer, em debater a sua política no Tibete - a qual aliás Chu En Lai modificou nos últimos tempos.”.Depois de observar com ironia, que as “instâncias internacionais querem ser sempre mais papistas que o Papa”, e de lembrar que até agora a ação internacional contra a África branca não passou do estádio das palavras, Guido Olivieri escreve a concluir:.“É bastante lamentável, num mundo que se diz civilizado e em pleno progresso, ver-se um regresso aos aspetos mais odiosos do hitlerismo.”