Joaquim Cunha: Fernando Araújo dará cérebro à gestão do SNS

Líder do Health Cluster Portugal vê escolha do ex-secretário de Estado e atual presidente do São João como "muito positiva" e capaz de trazer ao SNS a dinâmica e modernização de que a saúde necessita.

"Mais do que dinheiro, o que é crítico para o futuro da saúde é uma gestão eficiente e com planeamento, com um conjunto de ferramentas que nos permita assegurar o melhor funcionamento do SNS, com foco nos cidadãos", dizia ao DN Joaquim Cunha numa altura em que o país estava a sofrer demissões em bloco das direções de hospitais de todo o país. Agora com um novo titular da pasta da Saúde e com a escolha do CEO do SNS a recair em Fernando Araújo, o líder do Health Cluster Portugal está confiante numa mudança para muito melhor.

"Confirmando-se que ele aceita é uma excelente notícia", reagiu o diretor executivo do Health Cluster Portugal (associação privada sem fins lucrativos que junta 180 associados de todas as áreas do setor, de universidades e hospitais a organizações e empresas da área farmacêutica, biotecnologia, tecnologias médicas e serviços), considerando que Fernando Araújo "tem o perfil mais adequado para o lugar".

"Precisamos de uma boa gestão" do setor da saúde como um todo - público, privado e setor social. "E isso não se resolve deitando dinheiro para cima dos problemas", reforça agora, em declarações ao DN. Considerando que a aceitação de Fernando Araújo depende de ter recebido "garantias de que poderá definir o caminho - que é o que partilho - e de que terá as ferramentas essenciais a essa gestão", Joaquim Cunha, que defendeu repetidas vezes a necessidade de se encontrar uma via de gestão profissionalizada, à imagem dos conselhos de administração das empresas, com competências de gestão e de saúde, está otimista quanto aos resultados.

Secretário de Estado de Adalberto Campos Fernandes (ministro de 2015 a 2018) e muito crítico da agora ex-ministra da Saúde, Marta Temido, Fernando Araújo ocupa agora o lugar de presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar de São João, no Porto, tendo o seu nome mesmo chegado a ser avançado como ministeriável, antes de ser conhecida a opção pelo perfil mais político de Manuel Pizarro - outro crítico de Temido.

A notícia da nomeação de Araújo para CEO do SNS foi avançada pela SIC, mas o responsável ainda não terá dado resposta oficial ao convite uma vez que aguarda a promulgação do novo estatuto do SNS, que só deve acontecer no regresso do Presidente, Marcelo Rebelo de Sousa, de Angola, onde assistirá à tomada de posse de João Lourenço. Já se despediu, porém, nas crónicas semanais no JN. "Foram vinte semanas de crónicas reais, escritas com alma, sobre os problemas de milhares de portugueses", escreveu, no texto hoje publicado, o último (leia aqui).

Ainda ontem à noite, em entrevista à CNN, António Costa dava uma pista sobre a escolha ao dizer que "Lisboa tem muito a aprender com o Porto, nomeadamente em relação ao funcionamento das urgências". "É uma evidência que assim é", concorda Joaquim Cunha, lembrando que "há décadas que os hospitais do norte têm melhor desempenho e que, no fim, o governo acaba por 'beneficiar o infrator'", pondo dinheiro nas unidades de Lisboa, onde se verificam os problemas maiores de gestão.

Vinca porém que essa diferença de resultados "não acontece por questões geográficas ou de incapacidade dos gestores", mas antes por "falta de políticas adequadas" que potenciem um melhor desempenho. No São João, os últimos responsáveis, incluindo Fernando Araújo, foram capazes de, independentemente da falta de ferramentas, "incutir mais práticas de rigor à gestão", diz o presidente do Health Cluster Portugal, atribuindo por isso créditos a Fernando Araújo enquanto presidente daquela região de saúde.

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