Jejuar dois dias da semana não é só uma dieta da moda... é saudável

Vários estudos já demonstraram que fazer dietas que envolvam períodos de jejum pode ser mais saudável

Estão a ficar cada vez mais populares, mas podem não ser só uma moda passageira. As dietas ou regimes alimentares que incluem períodos de jejum intermitente podem ser uma forma de ser mais saudável, segundo demonstram vários estudos científicos recentes.

Uma das dietas mais populares é a 5:2, em que dois dias da semana são passados sem comer nada ou a ingerir muito poucas calorias. Esta semana, o blog de saúde do New York Times escrevia sobre a crescente aceitação deste tipo de dietas, citando o caso do neurocientista Mark Mattson, adepto de um regime em que faz jejum durante a maior parte das horas do dia. Só come durante algumas horas na parte da tarde, numa janela de seis horas. "Quando se está habituado, não custa nada", disse Mattson ao New York Times. "É só uma questão de se adaptar".

Que vantagens traz uma dieta como esta? Alguns, como Mattson, argumentam que a dieta é mais saudável por ser mais parecida à forma como se alimentavam os nossos antepassados. "É bastante óbvio que os nossos antepassados não comiam três refeições por dia, mais petiscos", brinca Mattson, que é autor de um estudo científico acerca da dieta 5:2.

O seu estudo, publicado em 2010 na revista científica International Journal of Obesity, demonstrou que pessoas numa dieta de jejum intermitente perdiam mais peso do que um grupo que fizesse apenas uma dieta de baixas calorias - e os que faziam jejum perdiam menos músculo.

Um outro estudo, realizado pela investigadora Krista Varady da Universidade do Ilinóis, em Chicago, demonstrou que as pessoas que jejuam em dias alterados perdiam peso rapidamente e também mostravam melhorias nos níveis de colesterol e triglicerídeos. "Já fizemos ensaios com perto de 700 pessoas", disse a investigadora ao New York Times. "Pensávamos que as pessoas iam comer mais nos dias em que podem comer, para compensar os dias de jejum. Mas isso não acontece muito, e acho que é por isso que funciona".

Este tipo de dieta tem muitos detratores, porém. Vários investigadores e dietistas afirmam que ainda não existem estudos suficientes que demonstrem que este tipo de regime alimentar deve ser recomendado a pessoas que queiram perder peso ou ficar mais saudáveis - a maioria dos estudos realizados na área até hoje têm sido em animais.

E mesmo o próprio Mark Mattson alerta para a dificuldade de adotar subitamente uma dieta como esta, e dá o exemplo com uma transição súbita para fazer exercício regularmente. "Se há anos que és sedentário e depois tentas ir correr dez quilómetros, não te vais sentir muito bem até ficares em forma", afirmou. "Não vai ser uma transição suave".

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