Dona Antónia Adelaide Ferreira é, ainda hoje, considerada uma das grandes figuras do Douro
Dona Antónia Adelaide Ferreira é, ainda hoje, considerada uma das grandes figuras do DouroD.R.

Isabel Capeloa Gil e Nelma Serpa Pinto são as vencedoras do prémio D. Antónia 2026 

Desde 1988 que os Prémios Dona Antónia distinguem mulheres reconhecidas pelos seus percursos extraordinários e impacto em Portugal, homenageando o legado e o espírito empreendedor da Ferreirinha.
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A reitora da Universidade Católica Portuguesa e a jornalista da SIC foram as vencedoras da 38ªa edição dos prémios Dona Antónia, a Ferreirinha. Esta distinção reconhece, anualmente, duas mulheres - uma com um prémio de Consagração de Carreira e outra com um prémio Revelação - reconhecendo-lhes o percurso extraordinário e o impacto em Portugal.

No anúncio das premiadas, que aconteceu esta terça-feira, 7 de julho, em Vila Nova de Gaia, Maria João Spratley Ferreira, representante da família de Dona Antónia, e membro do júri que tomou a decisão, referiu que Isabel Capeloa Gil, reconhecida com o Prémio Consagração, "tem desafiado expectativas e acredita que conhecimento, ciência e cultura podem ser motores de desenvolvimento social", cruzando assim o seu percurso com o de Dona Antónia. "Uma fê-lo através do vinha e do vinho, outra [fá-lo] através da educação", continuou.

Já Nelma Serpa Pinto, que recebeu o Prémio Revelação, "tem-se destacado pela profundidade das suas reportagens e por dar voz a quem tantas vezes permanece invisível. Representa rigor, verdade", referiu, "num mundo muito povoado por homens", tal como Dona Antónia fez, salientou. E tal como a Ferreirinha, continuou, "Nelma luta contra os silêncios, a indiferença e a superficialidade", aplaudiu, deixando a jornalista de 30 anos de lágrimas nos olhos, visivelmente emocionada.

"Em ambas reconhecemos traços que nos remetem para a Dona Antónia. A vontade de deixar um legado que ultrapassa a própria biografia", concluiu. 

Um certa forma de alcançar o sucesso

A António Lobo Xavier, presidente do júri destes prémios pelo primeiro ano, e que sucedeu a Artur Santos Silva, coube o discurso final antes da entrega dos prémios propriamente dita. Lobo Xavier destacou que esta distinção "celebra uma certa maneira de alcançar o sucesso, uma combinação rara de talento, carácter, ambição e elegância. Por isso, faz sentido continuar a invocar Dona Antónia, porque ela teve uma qualidade muito rara: viu possibilidades onde outros apenas viam limites", considerou.

 "Há pessoas que parecem escutar, antes dos outros, o rumor do tempo que vem. São essas que acabam por mudar a história. Talvez esse seja o tema desta noite", continuou. "E, no entanto, as duas mulheres que hoje homenageamos pertencem a mundos muitos diferentes. Uma parece habitar a velocidade; a outra, a duração e a perenidade. Mas esta oposição é apenas aparente. No fundo ambas fazem a mesma coisa: ensinam-nos a olhar. Uma jornalista distingue-se por ver o que os outros ainda não viram. Uma grande reitora ajuda os outros a ver o mundo que ainda não viram", salientou Lobo Xavier.

Isabel Capeloa Gil é  reitora da Universidade Católica Portuguesa
Isabel Capeloa Gil é reitora da Universidade Católica PortuguesaUCP

Numa tarde em que as caves Ferreira, no cais de Gaia, receberam a exclusiva cerimónia de entrega dos prémios, Lobo Xavier notou ainda que "vivemos rodeados de informação, nunca tivemos tantos dados e tantos comentários, mas nunca foi tão difícil compreender os outros", lamentou.

"No nosso tempo, a velocidade parece ser, por si só, uma medida de valor. Uma universidade demora décadas a afirmar-se. Uma reputação constrói-se durante uma vida!", salientou ainda, querendo aplacar qualquer tipo de hierarquia entre as distinções entregues às galardoadas.

"O tempo não fabrica talento, revela-o. Não cria carácter, confirma-o. Sempre gostei desta ideia de revelação e consagração. [As distinções] não estão em hierarquia, mas em diálogo. Nenhuma destas distinções se limita ao sucesso ou à promessa de sucesso. O júri não procura apenas distinguir mulheres pelo que cada uma faz, mas pela forma como faz, adiantou ainda.

Nelma Serpa Pinto é jornalista
Nelma Serpa Pinto é jornalista D.R.

 "Quando distinguimos uma revelação, não estamos a antecipar uma carreira mas sim a reconhecer o talento. Quando distinguimos uma consagração, estamos a reconhecer uma vida que resistiu ao escrutínio do tempo", continuou.

"Dona Antónia pertencia a esta linhagem. E as premiadas desta noite também", sublinhou Lobo Xavier.

"Nelma Serpa Pinto impressionou o júri pela serenidade. Pela preparação , ponderação e uma maturidade que não procura deslumbrar. Há profissionais que fazem da notícia um palco. Para este júri, a Nelma faz da notícia um serviço", asseverou.

 Por seu lado, "a Isabel mostra", entre outras coisas, "que uma universidade de cariz católico consegue afirmar os seus valores sem deixar de estar aberta ao mundo. Tem uma certa mundanidade que reconhecemos", sublinhou.

 "O talento faz com que as admiremos. Mas só o carácter faz com que esse talento seja legado", concluiu.

Isabel Capeloa Gil, reitora da Universidade Católica Portuguesa desde 2016 foi eleita, em 2018, a primeira mulher Presidente da Federação Internacional de Universidades Católicas, tendo sido responsável pelo plano estratégico "A Global Voice for a Common Future" e fundadora da task force da liderança feminina das Universidades Católicas.

É professora catedrática, doutorada e Mestre em Estudos Alemães. Estudou em Munique, nos EUA e em Portugal, depois de ter vivido, entre os sete e os 15 anos em Macau, onde aprendeu "que cada língua fala também de uma cultura", referiu aquando do recebimento do prémio.

Nelma Serpa Pinto é jornalista da SIC Notícias, depois de ter começado a carreira na TVI. Licenciou-se na Universidade do Minho, fez ainda uma passagem por Madrid e começou como repórter antes de assumir o lugar de pivô no canal noticioso. Aos 30 anos, tem-se destacado pelas entrevistas a políticos e pela preparação e tranquilidade com que contraria, se assim os factos o exigirem, os seus convidados.

Cândida Pinto, Maria Manuel Mota, Teodora Cardoso, Graça Viterbo, Graça Cavaco de Morais ou Catarina Hall foram alguns dos nomes que já foram distinguidos com este prémio ao longo destas quase quatro décadas.

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