Rasto de destruição em Leiria devido ao mau tempo
Rasto de destruição em Leiria devido ao mau tempo Foto: Reinaldo Rodrigues

IPMA diz que o sistema não falhou nas suas competências aquando das tempestades

Presidente do instituto garantiu que o IPMA tem os melhores meios ao nível da Europa, mas admitiu que "há um grau de imprevisibilidade, porque o 'sting jet' forma-se de repente".
Publicado a
Atualizado a

O presidente do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) afirmou esta quarta-feira, 24 de junho, na Assembleia da República, que o sistema não falhou, naquilo que são as suas competências, na tempestade Kristin.

"O sistema não falhou nas competências do IPMA. Estamos a falar de previsões que têm um grau de variação", disse José Guerreiro, presidente do Conselho Diretivo do IPMA, na Comissão da Reforma do Estado e Poder Local.

Após um requerimento do Chega para perceber se houve falhas nos sistemas de alerta, o responsável salientou que as previsões do IPMA são uma "probabilidade", adiantando que foi o investimento de cerca de 42 milhões de euros que "permitiu ter radares de topo e identificar a evolução rápida do sting jet", fenómeno verificado na madrugada do dia 28 de janeiro.

José Guerreiro esclareceu que o "IPMA não faz formalmente parte do sistema de Proteção Civil", mas "participa diariamente nos 'briefings' da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil" [ANEPC], e frisou que a "formação da depressão só foi detetada no dia 27 de janeiro. No dia 26 de janeiro, pelas 18:02", o IPMA alertou para "rajadas até 150 km/h" e, "no dia 27, às 06:45 rajadas até 140 km/h".

Os avisos, sublinhou o responsável, foram transmitidos à ANEPC e numa entrevista à RTP.

José Guerreiro explicou que as previsões meteorológicas são feitas com base numa análise de modelos numéricos de previsão que dão probabilidades" e os dados apontavam para a "entrada da tempestade a norte do Cabo Mondego". "Estes fenómenos são raríssimos e são dificilmente avaliados com 100% de precisão. No dia 28, pelas 02:49, foi detetado o sting jet - que só se formou horas antes - e o local de entrada", reforçou.

O presidente do IPMA acrescentou que, graças a um "acompanhamento ao minuto", Leiria já estava com aviso laranja e quando foi previsível o local de entrada passou para aviso vermelho, informação que "foi dada imediatamente às autoridades".

José Guerreiro garantiu que o IPMA tem os melhores meios ao nível da Europa, mas admitiu que "há um grau de imprevisibilidade, porque o sting jet forma-se de repente", pelo que "nenhum país consegue fazer melhor". "Pouco mais se poderia ter feito, do que foi feito pelo IPMA, que segue a cadeia da Proteção Civil, onde esteve um técnico em permanência", destacou.

O vogal do Conselho Diretivo do IPMA, Telmo Carvalho, explicou que "o "IPMA comunica informação meteorológica" e "os impactos não são da sua responsabilidade, até porque não temos conhecimento do território. O impacto terá de ser previsto pela proteção civil municipal".

O deputado do PSD, Marco Claudino, afirmou que "estava errada a premissa para este requerimento de que havia falhas", enquanto Bruno Nunes, do Chega, disse que se percebeu esta quarta-feira que "houve falhas", avisando que a audição deve "ser lavrada em ata e remetida ao Ministério Público [MP]".

Já a deputada socialista Catarina Louro considerou que a audiência tinha como objetivo principal uma "perseguição aos presidentes de câmara de concelhos mais afetados".

"Finalmente chegámos ao objetivo principal desta audiência, que tem a ver com esta perseguição aos presidentes de câmara de concelhos mais afetados. Nesta comissão em vez de os apoiar é encontrar culpados", criticou a deputada do PS, Catarina Louro.

Pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal entre o final de janeiro e o início de março na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que fizeram também várias centenas de feridos, desalojados e deslocados. Mais de metades das mortes foram registadas em trabalhos de recuperação.

Rasto de destruição em Leiria devido ao mau tempo
Tempestades: 40% das candidaturas a apoio à recuperação de casas estão resolvidas, diz ministro
Rasto de destruição em Leiria devido ao mau tempo
Mau tempo: Leiria recebeu 17,5 milhões de euros das seguradoras e do Governo, mas já gastou 30 milhões
Diário de Notícias
www.dn.pt