"Investir mas sempre com ordenamento"

O presidente da Câmara Municipal de Sintra fala do investimento na hotelaria no concelho, mas avisa que este será sempre realizado respeitando o ordenamento do território.

Pode dizer-se que Sintra teve um boom turístico?

Em 2016, tivemos cerca de 4 milhões de entradas, nos museus mas estimamos que devem ter entrado mais de cinco milhões de visitantes. O que significa um aumento de 20%, relativamente ao ano anterior. É um aumento muito grande. Em termos de dormidas, tivemos um aumento de 18%.

E a oferta hoteleira está a crescer?

Entre 2007 e 2016, tivemos um aumento muito grande, cerca de 94%, mas o grande aumento vai ser agora, porque estão a ser construídos seis hotéis. São mais de 55 milhões de euros de investimento. O que acontecia é que durante muito tempo os turistas vinham a Sintra, mas dormiam em Lisboa ou em Cascais, e agora vão passar a ficar aqui. Não todos, ainda, mas vão começar a ficar aqui.

Os comerciantes queixam-se de que há outras infraestruturas que ainda não acompanham a oferta hoteleira.

Há uma infraestrutura que temos de melhorar, e já estamos a melhorar, que é o problema da mobilidade. É muito difícil o trânsito em Sintra e é muito difícil aparcar. Sintra não está construída de forma linear, é um espaço pequeno, com ruas apertadas. Está mais feita para caleches do que para carros e autocarros. Portanto, temos agora com este aumento súbito de turistas - cinco milhões em Sintra é uma loucura - que responder a esta situação. Primeiro, mais parques de estacionamento, que é o que está a acontecer, mas também uma mobilidade diferente. Temos que fazer um silo e já está um a concurso, para 700 carros.Vamos dar um em construção e exploração, e quem ficar a explorar terá que ter uma frota de veículos elétricos, para transportar as pessoas para o centro da vila. Depois também temos o problema da Pena, nós podíamos dizer que para lá só se vai em transportes coletivos e já estamos a pensar que no verão seja assim. Mas temos de ter cuidado, não podemos deixar que a Pena não possa ser visitada por quem tem carro, a não ser que tenhamos alternativa.

Outro problema é manter as pessoas no centro.

Essa é outra questão. A invasão do turismo faz com que determinados hábitos, tenham algumas alterações, por exemplo, a vida noturna, o trânsito, o movimento, o barulho. Depois as casas no centro histórico também começam a ser muito apelativas para o arrendamento a turistas, o que leva a uma certa desertificação de algumas zonas da vila histórica, portanto, temos de equilibrar, aquilo que é o direito de quem cá vive, com a necessidade de não perturbar o turismo que é uma receita importante para Sintra e para o país. É importante manter esse equilíbrio. Temos de o fazer. Estamos a tentar fazê-lo, mas não é fácil.

Mas o caminho é o investimento no turismo?

Continuar a investir, mas sempre com ordenamento do território. Não há hotéis construídos de qualquer maneira. A nossa costa está totalmente preservada, não há hotéis, e quando houver, eles serão construídos de forma a não prejudicar o ambiente na nossa costa, nem na vila histórica. A paisagem de Sintra é Património da Humanidade e essa é uma preocupação permanente nossa.

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