Voluntários ajudam Santa Casa a reparar casas

Iniciativa tem como objetivo reparar habitações de idosos carenciados, utentes da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa

Maria Filomena Viana "ganhou" esta quarta-feira uma casa nova. Vive sozinha em Mem-Martins (Sintra), anda de cadeira de rodas, e a casa que herdou dos pais já tinha demasiados problemas. Agora, não. Desde hoje tem uma habitação remodelada que lhe permite, aos 56 anos, ter uma melhor qualidade de vida.

Esta utente do Centro de Medicina e Reabilitação de Alcoitão é a primeira pessoa desta unidade a beneficiar do apoio do programa "Reparar", da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, iniciativa que desafia voluntários e empresas a associarem-se à remodelação de casas degradadas de pessoas idosas, utentes da Santa Casa, nos concelhos de Lisboa, Oeiras, Amadora, Odivelas, Loures, Cascais e Sintra.

A recuperação da casa de Maria Filomena Viana contou com a ajuda de 15 voluntários da SCML e a remodelação foi quase total. Foram reparados pavimentos, os tetos e as paredes pintados de novo. As janelas e portas também foram reparadas e a equipa procedeu ainda à execução de uma rampa para facilitar a entrada da cadeira de rodas, num investimento de quase 4000 euros.

Este programa de voluntariado vai na quinta edição e conta com uma centena de casas recuperadas num investimento conjunto de 364 000 euros, entre a Santa Casa e 56 empresas que apadrinham a ação. O "Reparar" pretende, este ano, reparar 24 casas de utentes do Serviço de Apoio Domiciliário e do Centro de Dia da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, com o objetivo de melhorar as condições de habitabilidade e de conforto de pessoas carenciadas, preferencialmente de idosos apoiados pela Misericórdia de Lisboa; promover o voluntariado corporativo como estratégia fundamental na política de responsabilidade social das empresas e da sua intervenção na comunidade envolvente; alertar e sensibilizar a sociedade portuguesa para as consequências do envelhecimento demográfico, nomeadamente no que se refere ao empobrecimento, isolamento, solidão e desamparo das pessoas mais idosas e melhorar as condições de habitabilidade dos utentes do Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão que, depois de terem alta, precisam de ver as suas casas adaptadas de maneira a terem maior mobilidade.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.