Só há uma coisa que os jovens gostam menos na escola que das aulas. É a comida da cantina

Estudo internacional Health Behaviour in School-Aged Children da Organização Mundial de Saúde mostra que os portugueses estão entre os que têm pior perceção da sua competência escolar

Os jovens portugueses estão entre os europeus que têm pior perceção da sua competência escolar. Este dado é uma constante desde 1998, quando o estudo Health Behaviour in School-Aged Children da Organização Mundial de Saúde (HBSC/OMS), começou a ser feito em Portugal. E mantém-se, no estudo que hoje é apresentado a nível internacional.

A ideia constante que os jovens têm de ser maus alunos levou, em 2014 (ano em que foi feito o inquérito em Portugal), a coordenadora nacional, Margarida Gaspar de Matos, a querer saber os motivos de tanta insatisfação com a escola. Justificam que acham "a matéria é demasiado aborrecida e muito extensa e que os pais pressionam muito para as boas notas", aponta a responsável.

Mais: só há uma coisa de que eles gostam menos na escola do que ir às aulas. É a comida da cantina. "Tem havido uma grande preocupação legislativa com a comida na cantina, mas ainda não é suficiente. É preciso servir refeições com mais qualidade", aponta Margarida Gaspar de Matos.

Na comparação internacional, que é hoje apresentada, os 6026 jovens portugueses entre os 10 e 20 anos entrevistados ficam ainda aquém nas relações de amizade. Na comparação com os 43 países do HBSC/OMS, os portugueses mostram que aquilo que mais gostam na escola é dos colegas e dos intervalos, mas depois não se encontram com eles fora deste contexto. "Não têm tempo para estar com os amigos ou é uma questão cultural?", questiona a professora Margarida Gaspar de Matos.

O estudo compara ainda os comportamentos sexuais dos jovens, a atividade física e os consumos de substâncias psicoativas. É feito a cada quatro anos.

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