Quer manter-se jovem? Faça as palavras cruzadas

Estudo cujos dados foram apresentados em Londres envolveu mais de 17 mil participantes

As pessoas que fazem regularmente as palavras cruzadas ou outros jogos idênticos mantêm o cérebro em forma e podem preservar as funções cognitivas da memória, atenção e raciocínio a níveis equivalentes até dez anos anos menos do que a sua idade cronológica. É o resultado de um estudo que foi apresentado esta segunda-feira na conferência anual da Associação Internacional de Alzheimer, a decorrer até ao final da semana em Londres.

Não é nova a ideia de que manter o cérebro ativo em idades mais avançadas é um bom antídoto contra a erosão das funções cognitivas e tem até um papel preventivo de doenças neurodegenerativas, como a de Alzheimer, ajudando em muitos casos a retardar a sua progressão e sintomas. Estudos anteriores já apontavam nesse sentido. Mas os resultados da nova investigação agora apresentados vêm não apenas confirmar essa ideia de forma robusta mas também quantificar os benefícios proporcionados pelo exercício mental, quando praticado regularmente em idades mais avançadas.

Realizado por médicos e investigadores da Escola Médica da universidade britânica de Exeter, o estudo é um dos maiores do género até hoje realizados, envolvendo mais de 17 mil pessoas com mais de 50 anos e sem problemas de saúde, que participaram no estudo através da internet.

Os participantes foram inquiridos sobre a frequência com que que faziam as palavras cruzadas ou outros jogos e puzzles com palavras e fizeram depois dois testes cognitivos online, o CogTrackTM e o Protect, que avaliam os diferentes aspetos essenciais das funções cognitivas, como a atenção, a memória e o raciocínio. Depois de tratados, os dados mostraram que as pessoas que praticam aquele tipo de jogos mantêm as funções cognitivas com altos padrões de precisão, a um nível equivalente até dez anos menos do que a sua idade cronológica.

"Descobrimos uma relação direta entre a frequência com que se fazem estes jogos e a velocidade e precisão com que se desempenham as tarefas cognitivas [dos testes]", afirmou Keith Wesnes, neurocientista e um dos autores do estudo. "O desempenho foi sempre melhor por parte das pessoas que diziam fazer puzzles e aumentava progressivamente à medida da maior frequência com que os participantes diziam fazê-lo", sublinhou o mesmo investigador.

Exemplos? Nos testes para medir a velocidade do raciocínio gramatical, ou nos da precisão da memória de curto prazo, a prática das palavras cruzadas estava justamente associada àquela diminuição verificada de dez anos em relação à idade cronológica.

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