Portugueses nomeados para óscares europeus das energias renováveis

Cooperativa Coopérnico nasceu há três anos, aposta em projetos locais e já produz energia equivalente à consumida por 150 famílias

Olham para os telhados como espaços que estão a pedir painéis solares e, nessa visão, procuram um novo paradigma energético: 100% de energia renovável, eficiência e produção descentralizada, baseada em projetos de produção local, para consumo local. Eles são a cooperativa Coopérnico, que nasceu há três anos de uma conversa entre amigos, e que hoje está a produzir a energia equivalente à consumida por 150 famílias. Essa caminhada valeu-lhe agora a nomeação para o Prémio europeu da Energia Sustentável, cujos vencedores serão conhecidos em junho.

"É um reconhecimento da qualidade do nosso trabalho por parte da Comissão europeia", diz, satisfeito, Nuno Brito Jorge, engenheiro do ambiente, um dos fundadores da Coopérnico e o atual presidente da direção da cooperativa. "Esta nomeação também vai ajudar a divulgar os nossos projetos. A nossa cooperativa é reconhecida como um caso de sucesso na Federação Europeia das Cooperativas de Energias Renováveis, da qual fazemos parte", sublinha Brito Jorge.

Escolhidos entre 200 candidatos

Nomeada na categoria Consumidores, pelo projeto de inovação social no domínio das energias renováveis para a produção energética em pequena escala, a Coopérnico é a única organização portuguesa entre os nove finalistas do prémio, que se distribuem por mais duas categorias, Empresas e Setor Público, além da Consumidores.

Os nove finalistas dos "óscares europeus" das energias renováveis foram selecionados pela Comissão de um total de 200 candidatos, e na categoria Consumidores, a par da cooperativa portuguesa, estão designados a belga Test-Achats, com um projeto que ajuda os consumidores a identificar e a escolher tecnologias de baixo carbono, e a norueguesa Ostkraft, com um projeto que permite, em tempo real, a escolha de um consumo energético sustentável.

Nas restantes categorias foram selecionados a Agência da Energia de Chipre, a entidade pública de energia da Irlanda SEAI e o município de Pokupsko, na Croácia, e ainda as empresas Brau Union, da Áustria, a eslovaca GreenWay e o Parque Industrial da Suécia.

Os vencedores, escolhidos por um júri de peritos, serão anunciados a 14 de junho, na Semana Europeia da Energia Sustentável, pelo comissário europeu responsável pela Ação Climática e Energia, Miguel Arias Cañete.

Todos os nomeados estão também na corrida ao prémio atribuído pelos cidadãos europeus, através de uma votação na internet, que já está a decorrer aqui.

Para Nuno Brito Jorge, a Coopérnico foi a sequência lógica de um percurso que começou numa grande empresa suíça de prestação de serviços, passou pelo Parlamento Europeu, como assessor para a área de ambiente e energia de um grupo de eurodeputados portugueses, um ano de mochila às costas através da América Latina, um mestrado em Gestão, em Barcelona, e quatro anos na EDP. "Depois decidi criar a minha empresa e logo a seguir, em 2012, nasceu a Coopérnico", conta Nuno Brito Jorge.

Foi a tal conversa de amigos, na qual descobriram o anseio comum de um novo paradigma energético baseado nas energias renováveis. Depois as coisas evoluíram por si. "Analisámos as possibilidades, fizemos contas, reunimos verbas entre amigos e família e lançámo-nos num projeto-piloto para montar uma central fotovoltaica em Tavira, no terreno de um familiar", conta o dirigente da Coopérnico.

O investimento necessário era de 30 mil euros, mas como o dinheiro reunido não chegava, o grupo decidiu fundar a cooperativa. Neste momento já vão em seis projetos de produção de energia solar, que utilizam os telhados de instituições de solidariedade social e produzem para a rede na região de Lisboa e também em Mangualde, e estão a iniciar uma nova série de projetos idênticos, que permitirão produzir a energia equivalente ao consumo de mais 50 famílias. A cooperativa, que tem ganho, entretanto, novos membros, está a lançar-se também na comercialização da energia. A nomeação para o prémio chega no tempo certo.

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