Crianças que usam 'tablets' e 'smartphones' dormem menos

Por cada hora que usam aparelhos, são menos 15 minutos de sono. É desaconselhado uso antes de irem para a cama. Até aos 2 anos não devem ser expostos a estes écrans

As crianças até aos 3 anos que usam smartphones e tablets dormem menos. Por cada hora de uso, são menos 15 minutos por dia e, apesar de fazerem sestas mais longas, demoram mais tempo a adormecer. Este é o resultado de um primeiro estudo, da Birkbeck, Universidade de Londres, que pretendia avaliar a existência de perturbações do sono nos bebés que usam estes aparelhos.

Apesar de só agora ser conhecido o impacto negativo no sono, dois pediatras portugueses já desaconselhavam o uso destes aparelhos antes dos 3 anos. "Já era conhecido que o uso dos écrans, nomeadamente quando associados a jogos, perturba o sono, porque, uma vez desligados, o cérebro continua ativo. Aconselho, depois de jantar, ler e outras atividades mais relaxantes, nunca écrans", referiu ao DN Mário Cordeiro.

Também Fátima Pinto - que estudou ainda o impacto dos écrans televisivos no desenvolvimento das crianças - aconselha que pelo menos até aos 2 anos as crianças não usem tablets ou smartphones. "As questões de desenvolvimento relacional e de comunicação ficam prejudicadas quando as crianças são entregues aos écrans", defende a médica.

Os especialistas admitem que os pais, muitas vezes "para alívio próprio", acabam por dar o telemóvel ou tablet para distrair os filhos. O que ocasionalmente não terá problema. Até porque, segundo a investigação inglesa, as crianças que usam estes aparelhos desenvolvem também mais rapidamente as capacidades motoras finas, sempre que estejam a interagir e não apenas como espectadores passivos.

No entanto, os pediatras portugueses lembram que outras atividades também desenvolvem estas capacidades e que não precisam dos écrans táteis para isso. "Uma criança adapta-se ao que lhe põem à frente. Gerou-se uma coisa de os filhos serem uns geniozinhos porque sabem mexer nestes aparelhos; ora eles lidam com o que veem", aponta Mário Cordeiro. Acrescentando que nestas idades "é preciso experimentar outras coisas, desenhar, construir com legos, a criança tenta e experimenta e erra, e não está apenas num jogo feito por outros". O pediatra descreve até que muitas vezes tem crianças que passam a consulta "agarrados ao tablet ou ao telemóvel, enquanto os pais se queixam de que eles estão agarradíssimos". "Os pais é que lhes dão os aparelhos para a mão e só o deviam fazer em situações muito pontuais", argumenta.

Embora tenha efeitos negativos, tanto os investigadores ingleses como os médicos portugueses referem que há aspetos positivos. "Não se deve diabolizar a internet, que também tem muitas coisas boas", ressalva Mário Cordeiro. Até porque "algumas competências diferentes começam a formar-se nas crianças que são digitais, o que não é necessariamente negativo", aponta Fátima Pinto.

Um dos pontos de conclusão de Tim Smith, um dos autores da investigação publicada no jornal Scientific Reports, é precisamente de que, "antes de proibir totalmente o uso de écrans táteis, precisamos de compreender de forma mais detalhada como o usar a tecnologia moderna de forma a maximizar os seus benefícios e minimizar qualquer consequência negativa para as crianças".

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