Biodiversidade pouco afectada se temperatura subir só 1,5 graus até 2100

As atuais emissões de gases com efeito de estufa atiram o aumento da temperatura para mais 3,2 graus no final do século

O que acontece aos diferentes grupos de espécies se o aumento da temperatura em 2100, por causa das alterações climáticas, for de apenas 1,5 graus Celsius face à época pré-industrial? E se ele for superior, como os tais dois graus de que tanto se fala? Um grupo de cientistas britânicos e australianos fez as contas às perdas e ganhos e identificou cenários que são pouco tranquilizadores, sobretudo porque, pelas atuais emissões de gases com efeito estufa as metas do Acordo de Paris não poderão ser cumpridas.

Se o aumento da temperatura não exceder 1,5 graus, valor que o texto do Acordo de Paris propõe como limite máximo admissível, embora reforce a ideia de se ficar abaixo disso, a maior parte das espécies conseguirão adaptar-se a esse mundo um pouco mais quente. Ainda assim, haverá estragos. Mas o que acontecer é que as emissões continuam a descarrilar.

Com mais 1,5 graus, 6% das 31 mil espécies de insetos avaliados pela equipa, que foi liderada por Rachel Warren, da universidade britânica de East Anglia, ficarão com a sua atual distribuição geográfica reduzida a metade. Mas se o aumento for de dois graus, a percentagem de insetos afetados sobe para 18. No entanto, se atual quantidade de emissões globais se mantiver tal como está, estas contas ficam ultrapassadas.

Como explica Rachel Warren, "a atual trajetória do aquecimento global, segundo as metas de redução de emissões apresentadas pelos países [no âmbito do Acordo de Paris], é de 3,2 graus [em 2100]". Nesse cenário, cerca de 50% dos insetos perdem metade da área geográfica que atualmente ocupam no mundo.

"Descobrimos [neste estudo] que os três maiores grupos de insetos responsáveis pela polinização são particularmente sensíveis ao aumento da temperatura", o que "é importante, porque os insetos são vitais para os ecossistemas e para os seres humanos."

Ou seja, se a situação não for atalhada, e se o aumento da temperatura for mesmo da ordem dos três graus, "os serviços do ecossistema prestados pelos insetos ficarão muito reduzidos, sendo que outros estudos mostram que eles já estão em declínio, também por outros motivos", como a perda e a degradação dos habitats devido às atividades humanas.

Reduzir os riscos para os insetos é muito importante, sublinha a equipa, dado que eles são tão vitais para os ecossistemas e para todas as outras espécies de animais e de plantas. Além disso, fazer os possíveis para que o aumento máximo da temperatura não exceda 1,5 graus em 2100, tal como o estudo mostra, permitirá que a maioria das espécies de plantas e animais não seja afetada.

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