Astrolábio da frota de Vasco da Gama encontrado ao largo de Omã

O explorador David Mearns descobriu o astrolábio em 2014, um dos quase três mil artefactos recuperados do Esmeralda

Esteve mais de 500 anos enterrado no Índico, nos destroços de um navio perdido para uma tempestade no Mar da Arábia. Agora, um dos astrolábios usados pelos marinheiros portugueses para encontrar os caminhos das Descobertas foi encontrado: arqueólogos marinhos recuperaram o artefacto do que acreditam ser os destroços do Esmeralda, uma nau da frota de Vasco da Gama.

"É um grande privilégio encontrar algo tão raro, algo historicamente tão importante, algo que vai ser estudado pela comunidade de arqueólogos e que vem preencher uma lacuna", disse David Mearns, da Blue Water Recovery, à BBC.

Mearns descobriu o astrolábio em 2014, um dos quase três mil artefactos recuperados. Mas o pequeno disco de bronze, com um diâmetro de 17,5 centímetros e com cerca de dois milímetros de espessura, sobressaiu imediatamente: "Não era parecido com nada que tivesse visto e soube imediatamente que era algo importante porque conseguia ver dois emblemas". Um era um brasão português e outro, descobriu depois, era o brasão de D. Manuel I, o rei português.

Embora acreditasse que o objeto recuperado era um astrolábio, um instrumento de navegação, usado para avaliar a posição dos astros e a sua altura acima do horizonte, foi necessária uma análise levada a cabo com a ajuda de cientistas da Universidade de Warwick para revelar os pormenores que tornaram óbvia a função do disco.

Mearns diz que o astrolábio teve de ser fabricado entre 1495 e 1500, porque D. Manuel só subiu ao trono em 1495 e o navio só partiu de Lisboa em 1502. Os astrolábios dos marinheiros são hoje objetos relativamente raros, e este é apenas o 108º a ser confirmado, segundo a BBC.

A descoberta do Esmeralda foi anunciada por Mearns e pelo Ministério do Património e da Cultura de Omã no ano passado.

Aquando do anúncio, António Camarão, colaborador de Mearns, especialista em Arqueologia Subaquática, recordou ao DN os dois anos a estudar o possível paradeiro dos navios. O Esmeralda partiu de Portugal em 1502 sob o comando de Vicente Sodré, tio materno do navegador da Rota do Cabo e naufragou ao largo da ilha Al Hallaniyah. Com ela, naufragou também a São Pedro, comandada pelo irmão de Vicente, Brás.

"Os [irmãos] Sodré foram apanhados pela tempestade por teimosia. Os árabes avisaram que vinha mau tempo. Parte da esquadra passou para a costa este da ilha e safou-se. Eles não quiseram, porque era ali que costumavam ir os árabes e os chineses fazer tráfego de mercadorias", contou António Camarão.

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