A seguir à tempestade Ana vem o Bruno e a Carmen. Saiba porquê

Pessoas tendem a ter mais cuidados quando as tempestades têm um nome. Portugal, Espanha e França em coordenação no que toca aos fenómenos meteorológicos

A fim de "assegurar e facilitar a cooperação" entre os vários serviços meteorológicos nacionais da Europa, as entidades meteorológicas de Portugal (IPMA), Espanha (AEMET) e França (Météo-France) começaram a nomear as tempestades que se verificam no sul europeu. A medida entrou em vigor a 1 de dezembro e em Portugal teve nos últimos dias, com a tempestade Ana, a primeira tempestade a ter um nome "humano".

"O sistema de dar nome a tempestades foi implementado com êxito durante duas temporadas (2015/2016 e 2016/2017) no Reino Unido e Irlanda", lê-se numa nota da AEMET.

A mesma nota acrescenta que os cidadãos tendem a ter mais atenção às condições meteorológicas, e as consequentes medidas de prevenção e segurança, se os fenómenos tiverem nomes e estiverem "claramente identificados".

Assim, os nomes para as próximas tempestades estão já alinhavados e por ordem alfabética. A saber: Ana, Bruno, Carmen, David, Emma, Felix, Gisele, Hugo, Irene, Jose, Katia, Leo, Marina, Nuno, Olivia, Pierre, Rosa, Samuel, Telma, Vasco e Wiam.

Se o IPMA, o AEMETE ou o Météo-France emitir um aviso laranja ou vermelho devido à aproximação de uma tempestade, deverá chamar-lhe um dos nomes da lista já estabelecida.

Só serão "batizadas" as tempestades que possam crescer de tal maneira que provoquem um grande impacto em "bens e pessoas".

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.

Premium

João Taborda da Gama

Le pénis

Não gosto de fascistas e tenho pouco a dizer sobre pilas, mas abomino qualquer forma de censura de uns ou de outras. Proibir a vista dos pénis de Mapplethorpe é tão condenável como proibir a vinda de Le Pen à Web Summit. A minha geração não viveu qualquer censura, nem a de direita nem a que se lhe seguiu de esquerda. Fomos apenas confrontados com alguns relâmpagos de censura, mais caricatos do que reais, a última ceia do Herman, o Evangelho de Saramago. E as discussões mais recentes - o cancelamento de uma conferência de Jaime Nogueira Pinto na Nova, a conferência com negacionista das alterações climáticas na Universidade do Porto - demonstram o óbvio: por um lado, o ato de proibir o debate seja de quem for é a negação da liberdade sem mas ou ses, mas também a demonstração de que não há entre nós um instinto coletivo de defesa da liberdade de expressão independentemente de concordarmos com o seu conteúdo, e de este ser mais ou menos extremo.

Premium

Adolfo Mesquita Nunes

A direita definida pela esquerda

Foi a esquerda que definiu a direita portuguesa, que lhe identificou uma linhagem, lhe desenhou uma cosmologia. Fê-lo com precisão, estabelecendo que à direita estariam os que não encaram os mais pobres como prioridade, os que descendem do lado dos exploradores, dos patrões. Já perdi a conta ao número de pessoas que, por genuína adesão ao princípio ou por mero complexo social ou de classe, se diz de esquerda por estar ao lado dos mais vulneráveis. A direita, presumimos dessa asserção, está contra eles.