A mais detalhada imagem composta da nuvem molecular Orion A

A imagem foi obtida a partir de imagens captadas com o telescópio de rastreio infravermelho VISTA

O Observatório Europeu do Sul (ESO), organização intergovernamental de astronomia na qual Portugal participa, divulgou a mais detalhada imagem composta obtida até hoje da nuvem molecular Orion A, revelando a formação de numerosas estrelas.

A imagem é um dos maiores "mosaicos em alta resolução no infravermelho próximo da nuvem molecular Orion A", a 'incubadora' de estrelas mais próxima da Terra que se conhece, a cerca de 1.350 anos-luz de distância.

O ESO montou o mosaico a partir de imagens captadas com o telescópio de rastreio infravermelho VISTA, instalado no Observatório do Paranal, no deserto de Atacama (norte do Chile).

"Revela muitas estrelas jovens e outros objetos que normalmente se encontram profundamente enterrados no seio das nuvens de poeira cósmica", refere um comunicado do ESO.

A imagem cobre toda a nuvem molecular Orion A, uma de duas nuvens moleculares gigantes que fazem parte do complexo da Nuvem Molecular de Orion.

De acordo com o ESO, o VISTA "é o maior telescópio de rastreio do mundo".

"Possui um enorme campo de visão que observa com detetores infravermelhos muito sensíveis, o que o torna ideal na obtenção de imagens infravermelhas profundas de alta qualidade, indispensáveis a este rastreio".

O VISTA consegue ver radiação impercetível ao olho humano, o que permite aos astrónomos identificar muitos objetos ainda na maternidade estelar, invisíveis com outros métodos.

"Estrelas muito jovens que não podem ser observadas em imagens obtidas no espetro visível são reveladas quando observadas nos maiores comprimentos de onda do infravermelho, onde a poeira que as rodeia se torna mais transparente", explicou o observatório.

O telescópio produziu um catálogo de quase 800 mil estrelas, objetos estelares jovens e "galáxias distantes individuais identificadas, o que representa uma melhor profundidade e cobertura do que as conseguidas até à data por qualquer outro rastreio desta região".

Esta imagem muito detalhada de Orion A estabelece uma nova base observacional para futuros estudos de formação de estrelas e, segundo o ESO, "realça uma vez mais o poder do telescópio VISTA na obtenção de imagens de vastas áreas do céu.

Neste trabalho participaram dois investigadores do Centro Multidisciplinar de Astrofísica do Instituto Superior Técnico de Lisboa: Joana Ascenso e André Moitinho.

O ESO é a mais importante organização europeia intergovernamental para a investigação em astronomia e descreve-se como "o observatório astronómico mais produtivo do mundo". É financiado por 16 países: Alemanha, Áustria, Bélgica, Brasil, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Holanda, Itália, Polónia, Portugal, Reino Unido, República Checa, Suécia e Suíça, assim como pelo Chile, o país de acolhimento.

O observatório mantém em funcionamento três observatórios de ponta no Chile: La Silla, Paranal e Chajnantor.

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