O Governo considera como praticamente finalizada a reforma nas restrições à entrada de imigrantes, restando apenas uma mexida na lei por aprovar no Parlamento, após o verão. Esta alteração será para encerrar de vez todas as possibilidades de entrada sem visto no país, como é o plano do Executivo desde que assumiu o país. Na pasta liderada por António Leitão Amaro e executada por Rui Armindo Freitas a sensação é de confiança, após a divulgação dos novos números da imigração. Os dados foram um “reforço” naquele que é o discurso desde o início da governação: que a imigração estava descontrolada, mas que, agora, está estabilizada, graças à reforma posta em andamento desde junho de 2024.No entanto, aumenta cada vez mais a pressão para que sejam dadas respostas no plano de integração e melhorias na Agência para Integração, Migrações e Asilo (AIMA). As dificuldades de comunicação com a agência, a falta de digitalização e os atrasos nos prazos continuam no topo das críticas dos imigrantes.No terreno, continuam as críticas pela falta de medidas de melhoria na agência e no campo da integração, sobretudo agora que a entrada de imigrantes caiu e que as pendências na AIMA diminuíram. O DN sabe que, na agência, tem sido feito um esforço na digitalização dos serviços, mas ainda longe da procura por parte da população migrante.Igualmente, o jornal sabe que o Plano Nacional de Integração está prestes a ser finalizado, mas sem uma data concreta para a divulgação. As medidas terão mais a ver com o âmbito “prático” da vida do imigrante, apurou o jornal e contam com contributos de várias entidades que atuam no terreno. As linhas gerais já foram apresentadas ao Conselho Nacional para as Migrações e Asilo, em maio. Ao jornal, Cyntia de Paula, conselheira que representa a comunidade brasileira, elogia a iniciativa. “É uma coisa positiva que o plano nacional para as migrações esteja a ser construído”, diz. A Casa do Brasil foi uma das entidades ouvidas para dar sugestões. “Reforço a participação coletiva de todas as entidades, é importante que a maior parte das entidades possam ser ouvidas e a participação das próprias pessoas migrantes”, afirma. “Esperamos que o plano realmente reflita as necessidades que as pessoas migrantes vivenciam”, assinala.A conselheira reforça, ainda, a preocupação com o discurso xenófobo contra imigrantes. “Tenho debatido muito no conselho: não concordamos com essa construção do imigrante como responsável pelos problemas do país. É uma estratégia muito má e que não corresponde à ideia de uma política humanista que o Governo reproduz no discurso.”amanda.lima@dn.pt.Número de Segurança Social na AIMA não resolve impasse enfrentado por imigrantes para conseguir emprego.Imigração. Governo lança “pacote retorno” e assegura que há dinheiro para a execução do programa